quarta-feira, 8 de julho de 2009

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban



Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Harry Potter and the Prisoner of Azkaban
Inglaterra/EUA, 2004 - 142 min
Ação/Aventura/Fantasia

Diretor:
Alfonso Cuarón

Roteiro:
Steve Kloves

Elenco:
Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Tom Felton, Michael Gambon, Alan Rickman, Robbie Coltrane, Gary Oldman, Maggie Smith, David Thewlis, Fiona Shaw, Emma Thompson, Timothy Spall

Com a decisão de Chris Columbus (Esqueceram de Mim) de não mais dirigir os filmes da série Harry Potter, a direção de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban ficou com o mexicano Alfonso Cuarón (E Tua Mãe Também), o que criou grandes esperanças entre os críticos de uma melhora significativa para a série.
Neste filme, Harry Potter (Daniel Radcliffe) se depara com a ameaça de que Sirius Black (Gary Oldman), um seguidor de Lord Voldemort, escapara de Azkaban - a prisão dos bruxos, de onde ninguém nunca havia conseguido fugir - depois de 12 anos preso e está atrás do garoto para matá-lo. Não se engane, pois a história apenas parece ser simples. Aos poucos, mistérios vão sendo criados e resolvidos, tornando a trama principal cada vez mais densa e sombria. Ou pelo menos deveria ser assim.
O problema é que o roteiro corta informações preciosas do livro que não custariam mais que duas ou três falas a mais para cada uma delas, mas que fariam uma enorme diferença para o enredo. Por exemplo: quem são os criadores do Mapa do Maroto? Qual a ligação entre Lupin, Sirius, Tiago e Pedro Pettigrew? Porque Snape os odeia tanto? Todas estas questões e mais algumas poderiam ser explicadas em uma única cena: a da Casa dos Gritos. Também não dá para entender porque este filme tem menor duração que o segundo, se é o que possui mais conteúdo entre os três primeiros.
A segunda sequência da série é marcada pelas mudanças. Os cenários não são mais exatamente os mesmos: o castelo de Hogwarts lembra uma catedral e possui um relógio com um pêndulo gigantesco na entrada (?); a localização da cabana de Hagrid e de outras construções dos terrenos da escola mudaram; e algumas áreas internas ao castelo estão diferentes. A fotografia também muda: antes muito iluminada, cores bem vivas, a câmera possuía deslocamentos suaves; neste filme, Cuarón usa algo bem ao seu estilo, atmosfera mais sombria, escura, imagem embaçada quando com presença de movimentos rápidos (normalmente usada para disfarçar cortes e efeitos especiais), sequências longas e sem cortes. Neste aspecto, as melhoras são sobrepostas pelas perdas. O filme passa a lembrar produções europeias independentes, o que pode ser interessante, mas que não entra em sintonia com o mundo da série Harry Potter. Um exemplo é a cena da transformação do lobisomem. A câmera mostra a lua e dá um zoom nos olhos do personagem, algo bem característico dos antigos filme de lobisomem.
Quanto aos atores, Cuarón foi excelente. O trio principal está muito bem, principalmente Daniel Radcliffe (My Boy Jack), mas o grande destaque entre os jovens atores é Tom Felton (Anna e o Rei), intérprete do antagonista Draco Malfoy. Além da ótima instrução dos atores, Alfonso Cuarón também realiza excelentes escolhas dos mesmos. Gary Oldman (O Drácula de Bram Stoker), Emma Thompson (Simplesmente Amor), Timothy Spall (Desventuras em Série) e David Thewlis (A Profecia) estão incríveis em seu respectivos papéis, pois conseguem representar com muita fidelidade os personagens definidos por J. K. Rowling. Michael Gambon (Capitão Sky e o Mundo de Amanhã) interpreta o professor Alvo Dumbledore substituindo o falecido Richard Harris (Gladiador) e realiza um brilhante trabalho, mas mesmo assim não consegue manter a mesma imagem do diretor de Hogwarts, uma missão impossível, diria eu.
A sequência também merece ser parabenizada por seus efeitos especiais. Bicuço, o hipogrifo é bastante real e fiel à sua descrição na obra original (o grande destaque em efeitos espciais do filme), assim como os dementadores que, depois de terem sido testadas várias formas de representá-los, foram "encontrados" na computação gráfica. O lobisomen não fica atrás e possui originalidade aos outros representados no cinema (não apresentando nenhuma parte de seu corpo mais característica do homem ou do lobo que outra, sendo uma mistura completa dos dois seres).
São muitos erros e acertos, mas quando se pesa os dois fica perceptível que Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban perde mais do que ganha. Mudanças podem acontecer, e devem acontecer quando algo não está certo. Arriscar também é importante, mas não a ponto de deixar de fora parte importante da história quando não há necessidade. Alfonso é um ótimo diretor e prova isso em filmes como Filhos da Esperança. O problema é que ele não pareceu se dar muito bem com uma responsabilidade tão grande quanto é dirigir um filme da série Harry Potter. Se havia medo em contratar diretores como Steven Spielberg (Jurassic Park) e Tim Burton (Edward Mãos-de-Tesoura) porque estes fariam o filme muito ao seu estilo, erraram ao contratar Cuarón, que não fez nem um pouco diferente. Imagino que os outros dois teriam se saído melhor.

2 comentários:

Beatriz disse...

A melhor crítica até agora! Adoreeii, concordo com muita coisa aí... outra coisa que ficou muito fiel foi o busão dos perdidos! oiaeuoiuea ; =) fiquei 'revoltada' tbm pq não mostraram aqueles SIMPLEES, mas necessários detalhes tipo a relação entre os apelidos do mapa e também seus criadores =T ótima crítica, amei amei!o final está perfeito!

Israel disse...

Acho que fico com a Beatriz... essa crítica está muito boa mesmo... Parabéns :)

 
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