quarta-feira, 30 de junho de 2010

Robin Hood


Robin Hood

EUA, Inglaterra , 2010 - 140 min
Épico / Guerra

Direção:
Ridley Scott

Roteiro:
Brian Helgeland, Ethan Reiff, Cyrus Voris

Elenco:
Russell Crowe, Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Mark Strong, Oscar Isaac, Danny Huston, Eileen Atkins, Mark Addy, Matthew Macfadyen, Kevin Durand, Scott Grimes, Alan Doyle, Douglas Hodge

Desde o início do século passado, ainda no cinema mudo, a lenda de Robin Hood tem sido freqüentemente adaptada para as telonas, tendo inclusive uma versão Disney, muito conhecida por copiar cenas de dança de Mogli - O Menino Lobo. Mas desde 1991, quando Kevin Costner vestiu o capuz em Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões, ele tem sido a própria personificação do mito na mente das pessoas. Fugir da sombra desse sucesso e trazer algo novo para uma história repetida centenas de vezes, foram, sem dúvida, os maiores desafios do consagrado diretor Ridley Scott nessa nova empreitada.
A comparação com as antigas adaptações era inevitável, e acabou gerando uma onda negativa de pré-julgamento sobre o filme (do qual foi parte, inclusive, quem vos escreve). Principalmente porque, logo de cara, o que se vê é um Robin Hood (Russell Crowe) de cabelo curto e mais rechonchudo que o idolatrado Kevin Costner. Mas esse é o tipo de filme que não pode ser julgado pelo trailer.
O enredo começa antes das adaptações tradicionais, mostrando a participação de Robin Longstride na Terceira Cruzada, junto ao exército do rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston). Com a morte deste, ele retorna à Inglaterra e lá descobre a opressão causada pelo novo rei, João (Oscar Isaac). Ao lado da viúva Lady Marion (Cate Blanchett), ele lidera o povo do vilarejo de Nottingham e luta contra a tirania reinante no país.
Percebe-se um mudança de abordagem nessa adaptação. Há uma preocupação maior em explicar tudo a quem está assistindo, e mostrar uma história mais verossímil. O enredo é mais fiel à versão mais famosa da lenda, deixando de lado certos traços super-heróicos que o personagem principal adquiriu com o tempo. O Robin Hood de Crowe é um arqueiro muito habilidoso, mas sua grande força está em seu poder de liderança e no seu apurado conhecimento sobre táticas de batalha. O grande diferencial dessa nova adaptação é, justamente, tornar a história mais palpável, mais, digamos, "possível". Apesar disso, e como não podia deixar de ser, pode-se perceber algumas incongruências históricas. Só para ilustrar, na cena final os exércitos de Inglaterra e França estão em contingente muito pequeno, e usam cotas de malha e elmos que eram para poucos na época.
O elenco se apóia em dois nomes de peso, os vencedores do Oscar Russell Crowe e Cate Blanchett. Crowe repete a parceria com Ridley Scott (como em Gladiador e Um Bom Ano) e chega a surpreender na pele do protagonista. Uma surpresa boa, para quem esperava uma atuação apenas regular, sem sal. Mas não, ele se saiu bem, tanto quando exigido dramaticamente, quanto fisicamente, nas cenas de luta, mostrando que o gladiador ainda está em forma. Cate Blanchett vem de excelentes atuações em suas últimas produções, como em O Curioso Caso de Benjamin Button, mas nesta foi apenas regular. Muito culpa do personagem, que não exige muito.
Sem dúvida, o filme é uma boa diversão. Ele tenta conquistar o público logo no início, com boas seqüências de guerra, muita agitação, flachas zunindo e espadas tilintando. Se você não se empolgar com o início, dificilmente irá se empolgar com o restante. Pondo na balança, Robin Hood vale a pena. Apesar da história tão repetida e tão conhecida, a forma como ela é mostrada, mais conveniente com a época em que se passa, dissocia essa nova adaptação das anteriores, e prova não ser inútil, prova que ainda havia algo a ser mostrado. Além disso, o Robin que vemos é diferente do clássico que "rouba dos ricos para dar aos pobres". O foco do novo está mais voltado para a sua liderança e sua capacidade de negociar de igual para igual com os grandes, além de suas habilidades em batalha. Ele é mais humano, menos herói. É bem mais parecido com o homem da Idade Média.
Custando cerca de US$ 155 milhões, Robin Hood teve uma boa arrecadação no mundo, mas nos Estados Unidos deixou um pouco a desejar. A deixa para uma seqüência foi dada, será que vai acontecer? Por enquanto, nada certo. Mas fica o aviso: se for para contar história velha, melhor parar por aqui.

1 comentários:

Rael Castro disse...

Crítica muito boa! õ/
Gostei bastante do filme, também... Achei interessante eles mostrarem, como foi dito, mais o lado humano e menos o heroico...

 
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