terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Indicados ao Globo de Ouro 2010

Foram divulgados hoje pela manhã os indicados ao Globo de Ouro 2010. A cerimônia que premia produções cinematográficas e televisivas ocorrerá no dia 17 de janeiro, daqui a pouco mais de um mês. Assim como no Oscar do ano passado, Martin Scorsese (Os Infiltrados) receberá um prêmio por toda a sua obra e sua contribuição para o mundo entretenimento, o troféu Cecil B. DeMille. Os grandes destaques do ano em número de indicações são a HBO com 17 indicações na área de TV e o filme Amor sem Escalas (Jason Reitman) com seis indicações na área cinematográfica. Eis a lista:

CINEMA

Melhor Filme Dramático:
"Avatar" (2009)
"Guerra ao Terror" (2008)
"Inglourious Basterds" (2009)
"Precious" (2009)
"Up in the Air" (2009)

Melhor Filme de Musical ou Comédia:
"500 Dias com Ela" (2009)
"Se Beber Não Case" (2009)
"It's Complicated" (2009)
"Julie e Julia" (2009)
"Nine" (2009)

Melhor Ator de Drama:
Jeff Bridges por "Crazy Heart" (2009)
George Clooney por "Up in the Air" (2009)
Colin Firth por "A Single Man" (2009)
Morgan Freeman por "Invictus" (2009)
Tobey Maguire por "Brothers" (2009)

Melhor Atriz de Drama:
Emily Blunt por "The Young Victoria" (2009)
Sandra Bullock por "The Blind Side" (2009)
Helen Mirren por "The Last Station" (2009)
Carey Mulligan por "An Education" (2009)
Gabourey 'Gabby' Sidibe por "Precious" (2009)

Melhor Ator de Musical ou Comédia:
Matt Damon por "The Informant!" (2009)
Daniel Day-Lewis por "Nine" (2009)
Robert Downey Jr. por "Sherlock Holmes" (2009)
Joseph Gordon-Levitt por "500 Dias com Ela" (2009)
Michael Stuhlbarg por "A Serious Man" (2009)

Melhor Atriz de Musical ou Comédia:
Sandra Bullock por "A Proposta" (2009)
Marion Cotillard por "Nine" (2009)
Julia Roberts por "Duplicidade" (2009)
Meryl Streep por "It's Complicated" (2009)
Meryl Streep por "Julie e Julia" (2009)

Melhor Ator Coadjuvante:
Matt Damon por "Invictus" (2009)
Woody Harrelson por "O Mensageiro" (2009)
Christopher Plummer por "The Last Station" (2009)
Stanley Tucci por "The Lovely Bones" (2009)
Christoph Waltz por "Bastardos Inglórios" (2009)

Melhor Atriz Coadjuvante:
Penélope Cruz por "Nine" (2009)
Vera Farmiga por "Up in the Air" (2009)
Anna Kendrick por "Up in the Air" (2009)
Mo'Nique por "Precious" (2009)
Julianne Moore por "A Single Man" (2009)

Melhor Diretor:
Jason Rietman ("Up in the Air")
James Cameron ("Avatar")
Quentin Tarantino ("Bastardos Inglórios")
Clint Eastwood ("Invictus")
Kathryn Bigelow ("Guerra ao Terror")

Melhor Roteiro:
"Distrito 9"
"It's Complicated"
"Up in the Air"
"Bastardos Inglórios"
"Guerra ao Terror"

Melhor Canção Original:
Cinema Italiano - "Nine"
I See You - "Avatar"
(I Want To) Come Home - "Everybody's Fine"
The Weary Kind - "Crazy Heart"
Winter - "Brothers"

Melhor Trilha Sonora:
"The Informant!"
"Up - Altas Aventuras"
"Where the Wild Things Are"
"Avatar"
"A Single Man"

Melhor Filme Estrangeiro:
"Baaría - A Porta do Vento"
"Abraços Partidos"
"La Nana"
"Un Prophète"
"A Fita Branca"

Melhor Animação:
"Up - Altas Aventuras"
"Tá Chovendo Hambúrguer"
"Coraline e o Mundo Secreto"
"A Princesa e o Sapo"
"O Fantástico Sr. Raposo"



TELEVISÃO


Melhor Série de TV (Drama):

"Big Love"
"Dexter"
"House"
"Mad Men"
"True Blood"

Melhor Série de TV (Musical ou Comédia):
"Entourage"
"Glee"
"The Office"
"Mordern Family"
"30 Rock"

Melhor Minissérie ou Filme produzido para TV:
"Georgia O'Keeffe"
"Grey Gardens"
"Little Dorrit"
"Taking Chance"
"Into the Storm"

Melhor Ator em Minissérie ou Filme produzido para TV (Drama):
Kevin Bacon, por "Taking Chance"
Kenneth Branagh, por "Wallander"
Brendan Gleeson, por "Into the Storm"
Jeremy Irons, por "Georgia O'Keeffe"
Chiwetel Ejiofor, por "Endgame"

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme produzido para TV (Drama):
Joan Allen, por "Georgia O'Keeffe"
Drew Barrymore, por "Grey Gardens"
Jessica Lange, por "Grey Gardens"
Anna Paquin, por "The Courageous Heart of Irena Sendler"
Sigourney Weaver, por "Prayers for Bobby"

Melhor Ator em Série de TV (Comédia ou Musical):
Alec Baldwin, por "30 Rock"
Steve Carell, por "The Office"
David Duchovny, por "Californication"
Thomas Jane, por "Hung"
Matthew Morrison, por "Glee"

Melhor Atriz em Série de TV (Comédia ou Musical):
Toni Collette, por "United States of Tara"
Courteney Cox, por "Cougar Town"
Edie Falco, por "Nurse Jackie"
Tina Fey, por "30 Rock"
Lea Michele, por "Glee"

Melhor Ator em Série de TV (Drama):
Simon Baker, por "The Mentalist"
Michael C. Hall, por "Dexter"
Jon Hamm, por "Mad Men"
Hugh Laurie, por "House"
Bill Paxton, por "Big Love"

Melhor Atriz em Série de TV (Drama):
Gleen Close, por "Damages"
January Jones, por "Mad Men"
Julianna Margulies, por "The Good Wife"
Anna Paquin, por "True Blood"
Kyra Sedgwick, por "The Closer"

Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme produzido para TV:
Michael Emerson, por "Lost"
Neil Patrick Harris, por "How I Met Your Mother"
William Hurt, por "Damages"
John Lithgow, por "Dexter"
Jeremy Piven, por "Entourage"

Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme produzido para TV:
Rose Byrne, por "Damages"
Jane Adams, por "Hung"
Jane Lynch, por "Glee"
Janet McTeer, por "Into the Storm"
Chlöe Sevigny, por "Big Love"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

2012


2012
EUA, 2009 - 158 min
Ação / Ficção científica
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser
Elenco: John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Oliver Platt, Amanda Peet, Thandie Newton, Woody Harrelson, Zlatko Buric, Danny Glover, Thomas McCarthy

Lidamos com catástrofes o tempo todo. Tufões, tsunamis, terremotos, fora as guerras e matanças. Mas o ser humano nunca se deu por satisfeito, e sempre buscou usar da ficção para criar desastres ainda maiores que os reais, normalmente envolvendo o fim do mundo. Na história do cinema, há filmes cataclísmicos memoráveis, desde os mais antigos, como as primeiras versões de Guerra dos Mundos e O Dia em que a Terra Parou, até os mais atuais, como Independence Day, Impacto Profundo e O Dia Depois de Amanhã.
O mais novo filme dessa linha é 2012, mas está longe de ser o melhor. Dessa vez, a causa do fim do mundo é o superaquecimento da crosta terrestre pela intensa atividade solar, o que ocasiona o deslocamento dos pólos e diversas tsunamis ao redor do mundo, além da total instabilidade da crosta, que passa a flutuar sobre o núcleo, comprovando a previsão feita pelos maias há milênios atrás. Alarmado pelo cientista Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor), o governo americano, juntamente com o G-8, começa a tomar providências para salvar alguns "privilegiados" da catástrofe. O escritor frustrado Jackson Curtis (John Cusack - escritor de novo?!), fica sabendo por acaso do que está para acontecer (que não tinha sido revelado à população) e atravessa o planeta em busca da sua salvação e de sua família, passando por poucas e boas.
O começo do filme é muito chato. Um seqüência de eventos e a passagem de anos de 2009 a 2012. Rápida e superficial, como se eles precisassem ganhar tempo para caber mais explosões. Você engole a explicação e aceita que o mundo vai acabar, convencido ou não. Depois, começa a catástrofe em si. Podemos dizer que nessa parte o filme é bem audacioso, pois o nível de destruição é sem precedentes. Audacioso, mas peca aqui e ali nos efeitos. Há cenas fantásticas (embora irreais ainda que se trate do fim do mundo), mas há também cenas em que a montagem está fraquíssima; você sabe que o ator não está ali. Isso talvez decorra do exagero na utilização de computação gráfica, quando podia-se optar por cenários reais em algumas tomadas. Já no fim, o filme melhora surpreendentemente. Não o suficiente para salvá-lo por inteiro, mas o suficiente para você não se arrepender de ter gastado seu tempo e dinheiro indo ao cinema.
Apesar de ter John Cusack (Quero Ser John Malkovich, O Júri, 1408) como seu principal nome, os coadjuvantes do filme se saem melhor. Cusack faz o "feijão com arroz" nesse personagem, que é fraco, é verdade. As curtas participações de Woody Harrelson (O Povo Contra Larry Flint, Onde os Fracos Não Têm Vez, Zombieland) e Danny Glover (série Máquina Mortífera, Cegueira) são bem mais inspiradas. Mas o grande destaque do filme é Chiwetel Ejiofor (Amstad, Cinturão Vermelho). Na pele do cientista Adrian Helmsley, o personagem mais complexo da história, ele tem uma convincente atuação, sendo seu personagem o verdadeiro herói da trama, ainda que improvável. É um bom ator, que pode ganhar mais expressão no futuro.
O alemão Roland Emerich, que adora uma ficção científica, está de volta na direção de uma "superprodução catastrófica". Nomeado ao Framboesa de Ouro nas categorias Pior Realizador e Pior Argumento, por Godzilla, em 1998 (o curioso é que ele venceu a categoria Melhor Realizador no European Film Awards pelo mesmo filme, por voto popular), e Pior Argumento de filme que arrecadou mais de US$ 100 milhões por Independence Day, Emerich também dirigiu bons filmes, como O Patriota e O Dia Depois de Amanhã. Entretanto, 2012 parece ser uma versão piorada deste último, sem o mesmo apuro técnico, e com argumento até semelhante à primeira vista, mas bem inferior.
A aposta parece ser na sequência de explosões e destruição desenfreadas, entremeadas por uma história mal explorada. O pior é que funciona, pois só no fim-de-semana de estréia o filme cobriu todos os gastos de sua produção, que custou US$ 200 milhões, arrecadando US$ 225 milhões em todo o mundo, travando uma batalha direta com o mega-sucesso Lua Nova. 2012 é a prova viva de que bilheteria não é proporcional a conteúdo, muito pelo contrário nesse caso.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Saga Crepúsculo: Lua Nova



A Saga Crepúsculo: Lua Nova
The Twilight Saga: New Moon
EUA,2009 - 130 min
Romance / Fantasia / Ação

Direção: Chris Weitz

Roteiro: Melissa Rosenberg

Produção: Wyck Godfrey, Mark Morgan

Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Peter Facinelli, Michael Sheen, Dakota Fanning, Kellan Lutz, Elizabeth Reaser, Jackson Rathbone, Nikki Reed, Rachelle Lefevre

Você já deve ter pela experiência de tentar assistir televisão enquanto duas ou três pessoas ficam conversando ao seu lado. Agora imagina mais de 250 pessoas gritando numa sala de cinema enquanto você tenta prestar atenção a um filme de duas horas e dez minutos de duração. Isso foi o que aconteceu na estreia de A Saga Crepúsculo: Lua Nova, ou seja, uma total falta de educação. As pessoas da sala não sabiam respeitar nem a obra que tanto adoram. Esse tipo de desorganização não acontece com outras franquias como Harry Potter ou Homem-Aranha. Como fã das três sagas, começo a perceber que a maioria absoluta dos ditos "fãs" da Saga Crepúsculo está lá (na sala de exibição) para ver homens sem camisa.
Feita a crítica aos fãs, vamos à crítica à obra. A Saga Crepúsculo: Lua Nova, a tão esperada adaptação cinematográfica da segunda parte da obra vampiresca de Stephenie Meyer chegou com tudo nos cinemas de todo o mundo. Os recordes foram vários, mas o mais impressionante foi o de maior arrecadação de abertura: nada menos que 72,7 milhões de dólares, ultrapassando Batman - O Cavaleiro das Trevas, que ocupava o primeiro lugar com 67,2 milhões.
Desta vez Bella Swan (Kristen Stewart) se vê só na monótona cidade de Forks quando a família de seu namorado - e vampiro - Edward Cullen (Robert Pattinson) decide ir embora da cidade. Em meio a uma grande melancolia, Bella ainda é perseguida pela terrível vampira Victoria (Rachelle Lefevre) e encontra forças para suportar o abandono de seu amado em sua amizade com Jacob Black (Taylor Lautner), que também se encontra em fase de mudanças.
A roteirista Melissa Rosenberg, produtora e roteirista do seriado Dexter, realizou um trabalho dificílimo ao adaptar o livro para as telas. Lua Nova, o livro, é conhecido entre seus fãs como o pior livro da série, não necessariamente por ser ruim, mas devido à sua monotonia que, na minha opinião, é necessária. Por contar a história de Bella quando esta se encontra sem um sentido para sua vida, a história é arrastada, sem muitos acontecimentos que não fossem a rotina e os sofrimentos internos da personagem principal. Como o filme não poderia seguir o mesmo rumo, Melissa acrescenta ao roteiro cenas de ação e outros acontecimentos que só são citados na obra original pois, como, no livro, a história nos é contada pela própria Bella, só vemos o que a personagem vê. Isso enriquece muito o filme e evita que o mesmo se torne linear demais, o que seria prejudicial. Foi possível até mesmo fazer com que Edward não ficasse fora de cena na maior parte do tempo, o que acontece no livro de Stephenie Meyer. Ao invés de Bella só ouvir o vampiro em sua mente, ela passa a vê-lo. Foi uma forma de atender ao "pedido" da produtora (que não queria perder em bilheteria devido à pequena participação de Pattinson) e de tornar mais entendível o fato de que Bella estava tendo alucinações.
Apesar de tudo isso, o roteiro comete algumas falhas conjuntas com a direção e o elenco. Diferentemente ao filme anterior, a sequência tropeça bastante nas cenas de Isabella Swan e Edward Cullen, o casal principal. Kristen Stewart (O Quarto do Pânico) e Robert Pattinson (Harry Potter e o Cálice de Fogo), intérpretes dos dois personagens principais, não chegam nem perto de atingir a química necessária entre seus personagens. O que em Crepúsculo estava excelente passa a ser muito estranho. Pattinson interpreta um Edward carrancudo a todo momento, o que não se parece em nada com o original. Kristen fala muito pausadamente, tentando passar emoção demais, e o resultado é bastante negativo. Fora isso, Chris Weitz (American Pie) e sua equipe não dão mais a mínima para as aparências, pois não tentam mais disfarçar a idade de Pattinson, que deveria aparentar ter os eternos 17 anos de Edward, assim como sua irmã Alice, interpretada por Ashley Greene (Crepúsculo).
Falando em Weitz, deve-se considerar que estas são duas das poucas, mas graves, falhas do diretor. Ele faz muito bonito quando o assunto é a parte técnica do filme, assim como o fez no belo A Bússola de Ouro. Os cenários conseguem ser ainda mais fiéis ao livro do que o filme anterior - destaque para Volterra e a sede subterrânea dos Volturi. A fotografia também está maravilhosa e os efeitos especiais estão infinitamente melhores, apesar de ainda não poderem se igualar aos de outras superproduções cinematográficas, o que seria até injusto. A Saga Crepúsculo: Lua Nova teve um custo de 50 milhões de dólares, o que é muito pouco para um produções que exigem muito efeitos gráficos. Para se ter ideia, Harry Potter e o Enigma do Príncipe (David Yates) e Transformers: A Vingança dos Derrotados (Michael Bay) tiveram orçamentos que ultrapassam os 200 milhões de dólares cada. Weitz só teve 13 milhões a mais que Katherine Hardwicke (Aos Treze), diretora de Crepúsculo, e fez algo muito superior. Não só nos efeitos, mas também nas contratações.
Os novos atores da saga fazem um trabalho impecável. Desses deve-se destacar dois: Michael Sheen (Frost/Nixon) e Dakota Fanning (Guerras dos Mundos). Sheen interpreta um dos três líderes do clã Volturi, Aro, e Dakota faz a "jovem" Jane. Com pequenas participações, mas de grande importância para o futuro da cinessérie, os dois dão uma demonstração do que virá nos próximos filmes. Já dos atores que estavam no primeiro filme, há um a se destacar: Taylor Lautner (Doze é Demais 2). O jovem ator de 17 anos, que interpreta Jacob Black, o melhor amigo de Bella, era incerto para fazer a adaptação de Lua Nova devido à grandes mudanças físicas que ocorrem em seu personagem, exigindo um ator mais alto e bem mais musculoso. Lautner conseguiu ganhar 17 quilos de massa muscular durante o periodo entre as gravações dos dois filmes e ganhou o papel. Além de todo esse esforço, Taylor interpreta muito bem e é, dos tres atores principais, o mais talentoso até aqui.
Algo que não se pode negar é a superioridade de A Saga Crepúsculo: Lua Nova ao seu antecessor Crepúsculo. Mas esta sequência poderia ser muito melhor do que foi devido a alguns erros que poderiam ser corrigidos sem muito trabalho. Se Weitz também fosse diretor do próximo filme da saga, eu apostaria em seu sucesso, devido ao excelente trabalho que o diretor realiza em cenas de ação e efeitos especiais. Mas vamos esperar para ver o que David Slade (30 Dias de Noite), contratado para assumir a adptação aos cinemas de Eclipse, pode fazer além de filmes de terror e suspense, como o chato MeninaMá.com.

sábado, 14 de novembro de 2009

Besouro



Besouro
Besouro
Brasil, 2009 - 95 min
Ação

Direção: João Daniel Tikhomiroff

Roteiro: João Daniel Tikhomiroff, Patrícia Andrade

Produção: Fernando Souza Dias, João Daniel Tikhomiroff, Vicente Amorim

Elenco: Aílton Carmo, Macalé, Flavio Rocha, Anderson Santos de Jesus, Jessica Barbosa, Sérgio Laurentino, Chris Viana, Adriana Alves, Irandhir Santos, Leno Sacramento

Tem certas situações que eu não consigo entender. Grande parte do público brasileiro reclama que os filmes nacionais só falam de favela e sexo. Quando lançam um filme que possui um enredo mais fantasioso dizem: "Como é que pode? Alienígenas/Monstros no Brasil? Nada a ver!". Quem pensa assim precisa assistir a Besouro.
Tendo como cenário o Recôncavo Baiano da década de 1920, Besouro conta a história do capoeirista homônimo ao filme que é encarregado de comandar um grupo de capoeiristas após a morte de seu mestre, Mestre Alípio (Macalé). Para defender seu povo do Coronel Venâncio (Flavio Rocha), Besouro (Aílton Carmo) faz um trato com Exu (Sérgio Laurentino) e passa a contar com auxílio dos Orixás.
O roteiro é bastante inovador quando se fala de produções brasileiras, principalmente por ser um filme de ação. Apesar disso, até meados da exibição, o filme é cansativo, sem acontecimentos impactantes ou nem mesmo relevantes. Tudo isso porque a história demora demais para se desenvolver mas, quando se desenvolve, as imagens são de encher os olhos.
A situação se repete com os três atores principais que, até certo ponto do filme, se mostram meio perdidos e depois melhoram bastante. Os destaques do filme quanto a atuação são os intérpretes dos dois antagonistas da história: Flavio Rocha, que interpreta o Coronel Venâncio; e Irandhir Santos, o cômico Noca de Antônia, que já trabalharam juntos na minissérie A Pedra do Reino.
Sem dúvida alguma, o forte do filme é a sua parte técnica, o que costuma ser o ônus das produções brasileiras, com exceção da fotografia. Devido a necessidade de um bom entendedor da área dos filmes de ação e de seus respectivos efeitos especiais, João Daniel Tikhomiroff contratou o coreógrafo chinês Huen Chiu Ku, o melhor da área e criador das cenas de luta de Kill Bill (Quentin Trantino), Matrix (Andy Wachowski e Larry Wachowski) e do ganhador de Oscar O Tigre e o Dragão (Ang Lee), e isso é muita coisa! Dee Dee (apelido de Huen Chiu Ku) passou um tempo estudando a capoeira para conseguir desenvolver boa cenas de combate. E conseguiu. Os movimentos são bastantes leais à técnica original o que, segundo Dee Dee, foi o mais difícil, devido à capoeira não possuir defesas, somente ataques e esquivas, tornando o contato entre os atores bem menor. Não existe, no filme, nenhuma cena de luta que seja nem mediana: todas são excelentes, com destaque para a luta entre Besouro e Quero-Quero (Anderson Santos de Jesus). Também são muito bem trabalhadas as cenas com uso das cordas, que suspendem os atores, uma especialidade de Huen Chiu Ku.
Mas os méritos não são só do coreógrafo. Os atores são ótimos capoeiristas, principalmente Aílton Carmo e Anderson Santos. São muitos os movimentos e golpes incrivelmente rápidos e difíceis por eles realizados, algo que deixa vários filmes de ação norte-americanos ou asiáticos para trás. A fotografia também é um fator muito importante em Besouro, pois existem muitas cenas rápidas que exigem diversas mudanças de ângulos, e Tikhomiroff se sai muito bem nesse quesito. A trilha sonora é bastante original: mistura vários ritmos, mas com predominância das músicas de roda de capoeira. É bastante perceptível que as músicas costumam começar como algo que lembra filmes orientais, que vai mudando suavemnete até chegar no ritmo da capoeira.
Apesar de não possuir uma história solidificada e de algumas falhas nas atuações, Besouro é um ótimo filme de seu gênero, ainda em lento crescimento no Brasil. O filme é inovador e chega a ser surpreendente devido à sua ótima produção, o que é mais uma prova da capacidade cinematográfica brasileira. Besouro custou 10 milhões de reais, já o péssimo X-Men Origens: Wolverine (Gavin Hood), por exemplo, teve um custo de 150 milhões de dólares (mais de 250 milhões de reais). Assistam aos dois e tirem suas próprias conclusões.

domingo, 8 de novembro de 2009

Michael Jackson's This Is It



Michael Jackson's This Is It

Michael Jackson's This Is It
EUA, 2009 - 112 min
Documentário / Musical

Direção: Kenny Ortega

Elenco: Michael Jackson, Kenny Ortega, Alex Al, Nick Bass, Michael Bearden, Daniel Celebre, Mekia Cox, Misha Gabriel, Chris Grant, Judith Hill, Dorian Holley, Shannon Holtzapffel, Devin Jamieson, Bashiri Joh

A morte de Michael Jackson foi, sem dúvida, o acontecimento mais divulgado e comentado na mídia no ano de 2009. Até o Chuck Noland ficou sabendo que ele morreu. A nota mais dramática para os fãs é que o cantor tinha o início de sua última turnê agendado para o dia 13 de julho, 18 dias após sua morte. Ela seria composta de 50 shows em Londres que, segundo o próprio cantor, seriam suas últimas apresentações na cidade. O único consolo para os fãs veio em forma de filme: Michael Jackson's This Is It tenta dar o gostinho do que seria essa série de espetáculos do rei do pop.

A direção ficou a cargo de Kenny Ortega, também diretor da turnê. Ortega é um versátil profissional, que já dirigiu grandes shows (Michael Jackson's Dangerous World Tour, Michael Jackson's HIStory World Tour, High School Musical: The Concert), seriados (Gilmore Girls, Grounded for Life), filmes (Abracadabra, a série High School Musical), além de trabalhos como coreógrafo (Dirty Dancing, Curtindo a Vida Adoidado). Ele é também personagem do filme. Está sempre lá presente, orientando os músicos, ajustando a iluminação e, principalmente, trabalhando bem perto de Michael, satisfazendo cada pedido seu para que a apresentação saia impecável. Esse é um dos aspectos interessantes do filme, pois sempre se falou no perfeccionismo de Michael Jackson, mas nunca (com excessão dos making of de alguns videoclipes) o público havia tido acesso a essa relação entre ele e as pessoas com quem trabalha no processo de produção. Ele escolhe a dedo seus dançarinos e músicos, e cobra deles sempre o máximo, assim como de si próprio. O curioso é o modo como ele faz essa cobrança. Sempre muito gentil, cordial, mas sempre muito exigente. Frases como "essa nota deve ser mais longa" ou "você ainda não está tocando do jeito correto" sempre vinham seguidas de "eu digo isso por amor" ou "você vai chegar lá". E quando seus músicos conseguiam atingir suas expectativas, eram brindados com um "Deus abençoe vocês".
O Michael que vemos na tela traz consigo toda a afinação, a perfeição de movimentos e a intimidade com as músicas que o consagraram, mesmo depois de mais de uma década sem turnês. Ele não aparenta estar debilitado, mas notadamente se poupa nos ensaios, como ele próprio assume várias vezes. Se utiliza muito dos movimentos com as mãos, em detrimento dos pés, o que pode ser mais uma forma de se poupar.
Havia três fontes de filmagem dos ensaios: uma contratada para uso pessoal de Michael, outra para o teste dos telões e outra para o making of do DVD ao vivo de um dos shows. A maioria das imagens foi feita no Staples Center, em Los Angeles, local de seus últimos três ensaios, e também de seu velório.
Os efeitos visuais que seriam utilizados no show são da mais alta qualidade, de encher os olhos. Destaque para a multiplicação de dançarinos por computação gráfica e para a edição em tela verde que coloca Michael dentro do filme Gilda, de 1946.
O filme tem altos e baixos em seu decorrer. Há momentos muito empolgantes e outros um pouco entediantes. Mas isso está intrínseco à própria temática, pois ensaio envolve repetição, e repetição gera enfado a quem assiste. A duração também não ajuda. São quase duas horas de filme, o que se torna um pouco cansativo nesse tipo de filme. Mas é perfeitamente compreensível a vontade do diretor de utilizar cada minuto gravado durante os ensaios, visto que a principal importância desse filme é documental.
Aproveitando-se do grande apelo publicitário de que dispunha, o filme arrecadou US$ 32,5 milhões só nos primeiros cinco dias de exibição nos EUA. O sucesso fez com que o seu período de exibição, que era de apenas duas semanas, fosse prorrogado até o final de novembro.
Michael Jackson's This Is It guarda para a história os últimos momentos criativos de um dos maiores artistas de todos os tempos. Só isso já é justificativa suficiente para a existência do filme. Não bastasse isso, após assisti-lo, percebemos que é também o registro de uma turnê artística que prometia ser uma das mais grandiosas já realizadas. Se essa crítica houvesse sido escrita por Michael Jackson, ele provavelmente encontraria milhares de detalhes passíveis de melhoria. Mas quem vos escreve não é tão perfeccionista, e considera que o filme conseguiu cumprir razoavelmente com aquilo a que se propôs: consolar os fãs, homenagear o ídolo e registrar na história da música um capítulo que foi rabiscado, mas não escrito.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Up - Altas Aventuras


Up - Altas Aventuras

Up
EUA, 2009 - 96 min
Aventura / Animação

Direção:
Pete Docter, Bob Peterson

Roteiro:
Pete Docter, Bob Peterson, Thomas McCarthy

Elenco (EUA/BRA):
Edward Asner/Chico Anysio, Christopher Plummer/Jomery Pozzolli, Jordan Nagai/Eduardo Drummond, Bob Peterson/Nizo Neto

É muito comum nos depararmos com aquelas pessoas que vão assistir um filme já determinadas a não gostar dele, seja porque ouviram falar que ele é ruim, ou porque simplesmente não vão com a cara. Passam a reclamar de cada detalhe e achar mil e um defeitos. Pois bem, tive a oportunidade de descobrir que o inverso também é terrível: aqueles que vão ao cinema já decididos de que o filme é engraçadíssimo e riem desde os trailers até os créditos finais. Essa epifania dentro da crítica é dedicada aos rapazes que se sentaram na fileira atrás de mim, e que fizeram questão não só de rir, mas de gargalhar histericamente o tempo todo, a cada simples acontecimento do filme (ou fora dele).
Enfim, vamos ao que interessa. Apesar do que possa ter transparecido do parágrafo acima, Up é, sim, um filme engraçadíssimo, um dos mais engraçados do ano. Roteirista de grandes sucessos da Pixar, como Wall-E e Monstros S.A. (do qual foi também diretor), tendo também contribuído nos dois Toy Story, Pete Docter é o diretor. O filme conta a história de Carl Fredricksen (Edward Asner/Chico Anysio), um vendedor de balões que, ao se ver perto de perder sua casa, decide fazê-la levantar vôo utilizando-se de milhares de balões e, assim realizar um antigo sonho seu e de sua falecida mulher, Ellie: mudar-se para o Paraíso das Cachoeiras, um lugar localizado em uma floresta na América do Sul. Nessa jornada, ele contará com a ajuda do jovem escoteiro Russell (Bob Peterson/Nizo Neto), e encontrará criaturas esquisitas, inclusive cachorros falantes.
Esse enredo é sem dúvida um dos mais atípicos já vistos em filmes da Pixar. O curioso é que deu muito certo, mais até que outros não tão incomuns, como A Família do Futuro. Já foi dito que filme é muito divertido, mas o que o torna realmente especial é a singularidade da história que é mostrada. É algo original ao extremo, fruto de uma imaginação riquíssima. Para esse tipo de filme, há duas possibilidades: ou eles viram clássicos inimitáveis, graças ao enredo rico e único; ou eles são assolados duramente pela crítica, porque seus roteiristas "viajaram na maionese". Up se encaixa na primeira. Animações engraçadinhas temos aos montes; o que se busca hoje é o diferencial: a originalidade.
A qualidade da animação está, mais uma vez, impecável, o que é requisito mínimo hoje em dia. Os personagens são caricatos, baixinhos e cabeçudos, e o colorido é intenso durante todo o filme. Vale lembrar que esse é apenas o segundo longa-metragem da Pixar protagonizado por personagens humanos. O primeiro foi Os Incríveis. Destaque também para a qualidade dos ambientes, especialmente os das florestas sulamericanas, que tiveram como referência, inclusive, o Monte Roraima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.
Tratando-se de Disney, a dublagem é sempre ponto forte. Ainda mais a brasileira, reconhecidamente uma das melhores do mundo. O filme conta com a especialíssima participação do grande Chico Anysio. Confesso ter ficado até mesmo surpreso ao ver como a voz dele se encaixou perfeitamente no personagem (que é a cara dele!), mas em se tratando do talentosíssimo Chico Anysio, nada mais deve ser surpresa. Nesse filme, ele teve a oportunidade de dublar junto com seu filho, Nizo Neto (Russel), pela primeira vez.
Mais uma vez o talento e a criatividade da equipe de John Lasseter enchem os olhos do mundo, tornando Up - Altas Aventuras um dos melhores trabalhos da Disney/Pixar. Começo até mesmo a ponderar se não eram justas as gargalhadas escandalosas dos rapazes da fileira de trás.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os Normais 2



Os Normais 2
Os Normais 2
Brasil, 2009 - 75 min
Comédia

Direção: José Alvarenga Jr.

Roteiro: Fernanda Young, Alexandre Machado

Elenco: Luís Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Drica Moraes, Claudia Raia, Alinne Moraes, Daniel Dantas, Daniele Suzuki

Quase seis anos após o lançamento de Os Normais - O Filme (José Alvarenga Jr.), chega aos cinemas Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas, de mesmo diretor que o anterior.
A história é bastante simples: a relação dos noivos Rui (Luís Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) está cada vez mais desgastada, até que o casal decide encontrar uma mulher que esteja disposta a fazer um menáge à trois, afim de apimentar a relação. A partir disso começam a surgir diversas situações típicas da dupla.
Um enredo tão centralizado num único núcleo, tão linear não poderia gerar um filme maior do que esse. E a duração da exibição é uma característica que chega a desencorajar a assisti-la. São apenas uma hora e quinze minutos de duração. Apesar disso, o filme contém cenas hilariantes e muito bem montadas, como a do hospital. Outra sequência que chama bastante atenção é a do banheiro, onde Vani faz um gráfico no espelho do banheiro feminino usando batom após uma breve discussão com outras mulheres sobre relacionamento. Além de muito original, a cena se desenrola muito bem.
Se o roteiro tem muitos contra, mas também prós, não se pode queixar em nada quanto a atuação neste filme. Uma das vantagens da grande maioria das médias e grandes produções brasileiras, pois costumam possuir grande atores até em pequenas aparições. Luís Fernando Guimarães (O que é isso, companheiro?) e Fernanda Torres (Redentor) estão, como sempre, perfeitos. O desenrolar dos diálogos sempre muito naturais, uma das excelentes características da série original. Há uma química muito boa entre os dois. Também estão excelentes os atores secundários que têm, em sua maioria, personagens passageiros no enredo.
A produção do filme é muito boa: diálogos, atores, edição, locações, entre outros. Mas falta história para que possa se considerar um filme. Ao contrário do primeiro filme, este não tem tanto conteúdo, são apenas cenas engraçadas condensadas num enredo meia-boca para o cinema.
A produção se sairia bem melhor como um especial televisivo, em todos os seus aspectos: desde o enredo até seu tempo de duração. Faltou foco por partes de José Alvarenga e Fernanda Young. Vale a pena conferir, mas não se incomode em esperar chegar às locadoras.

 
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