quarta-feira, 8 de julho de 2009

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban



Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Harry Potter and the Prisoner of Azkaban
Inglaterra/EUA, 2004 - 142 min
Ação/Aventura/Fantasia

Diretor:
Alfonso Cuarón

Roteiro:
Steve Kloves

Elenco:
Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Tom Felton, Michael Gambon, Alan Rickman, Robbie Coltrane, Gary Oldman, Maggie Smith, David Thewlis, Fiona Shaw, Emma Thompson, Timothy Spall

Com a decisão de Chris Columbus (Esqueceram de Mim) de não mais dirigir os filmes da série Harry Potter, a direção de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban ficou com o mexicano Alfonso Cuarón (E Tua Mãe Também), o que criou grandes esperanças entre os críticos de uma melhora significativa para a série.
Neste filme, Harry Potter (Daniel Radcliffe) se depara com a ameaça de que Sirius Black (Gary Oldman), um seguidor de Lord Voldemort, escapara de Azkaban - a prisão dos bruxos, de onde ninguém nunca havia conseguido fugir - depois de 12 anos preso e está atrás do garoto para matá-lo. Não se engane, pois a história apenas parece ser simples. Aos poucos, mistérios vão sendo criados e resolvidos, tornando a trama principal cada vez mais densa e sombria. Ou pelo menos deveria ser assim.
O problema é que o roteiro corta informações preciosas do livro que não custariam mais que duas ou três falas a mais para cada uma delas, mas que fariam uma enorme diferença para o enredo. Por exemplo: quem são os criadores do Mapa do Maroto? Qual a ligação entre Lupin, Sirius, Tiago e Pedro Pettigrew? Porque Snape os odeia tanto? Todas estas questões e mais algumas poderiam ser explicadas em uma única cena: a da Casa dos Gritos. Também não dá para entender porque este filme tem menor duração que o segundo, se é o que possui mais conteúdo entre os três primeiros.
A segunda sequência da série é marcada pelas mudanças. Os cenários não são mais exatamente os mesmos: o castelo de Hogwarts lembra uma catedral e possui um relógio com um pêndulo gigantesco na entrada (?); a localização da cabana de Hagrid e de outras construções dos terrenos da escola mudaram; e algumas áreas internas ao castelo estão diferentes. A fotografia também muda: antes muito iluminada, cores bem vivas, a câmera possuía deslocamentos suaves; neste filme, Cuarón usa algo bem ao seu estilo, atmosfera mais sombria, escura, imagem embaçada quando com presença de movimentos rápidos (normalmente usada para disfarçar cortes e efeitos especiais), sequências longas e sem cortes. Neste aspecto, as melhoras são sobrepostas pelas perdas. O filme passa a lembrar produções europeias independentes, o que pode ser interessante, mas que não entra em sintonia com o mundo da série Harry Potter. Um exemplo é a cena da transformação do lobisomem. A câmera mostra a lua e dá um zoom nos olhos do personagem, algo bem característico dos antigos filme de lobisomem.
Quanto aos atores, Cuarón foi excelente. O trio principal está muito bem, principalmente Daniel Radcliffe (My Boy Jack), mas o grande destaque entre os jovens atores é Tom Felton (Anna e o Rei), intérprete do antagonista Draco Malfoy. Além da ótima instrução dos atores, Alfonso Cuarón também realiza excelentes escolhas dos mesmos. Gary Oldman (O Drácula de Bram Stoker), Emma Thompson (Simplesmente Amor), Timothy Spall (Desventuras em Série) e David Thewlis (A Profecia) estão incríveis em seu respectivos papéis, pois conseguem representar com muita fidelidade os personagens definidos por J. K. Rowling. Michael Gambon (Capitão Sky e o Mundo de Amanhã) interpreta o professor Alvo Dumbledore substituindo o falecido Richard Harris (Gladiador) e realiza um brilhante trabalho, mas mesmo assim não consegue manter a mesma imagem do diretor de Hogwarts, uma missão impossível, diria eu.
A sequência também merece ser parabenizada por seus efeitos especiais. Bicuço, o hipogrifo é bastante real e fiel à sua descrição na obra original (o grande destaque em efeitos espciais do filme), assim como os dementadores que, depois de terem sido testadas várias formas de representá-los, foram "encontrados" na computação gráfica. O lobisomen não fica atrás e possui originalidade aos outros representados no cinema (não apresentando nenhuma parte de seu corpo mais característica do homem ou do lobo que outra, sendo uma mistura completa dos dois seres).
São muitos erros e acertos, mas quando se pesa os dois fica perceptível que Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban perde mais do que ganha. Mudanças podem acontecer, e devem acontecer quando algo não está certo. Arriscar também é importante, mas não a ponto de deixar de fora parte importante da história quando não há necessidade. Alfonso é um ótimo diretor e prova isso em filmes como Filhos da Esperança. O problema é que ele não pareceu se dar muito bem com uma responsabilidade tão grande quanto é dirigir um filme da série Harry Potter. Se havia medo em contratar diretores como Steven Spielberg (Jurassic Park) e Tim Burton (Edward Mãos-de-Tesoura) porque estes fariam o filme muito ao seu estilo, erraram ao contratar Cuarón, que não fez nem um pouco diferente. Imagino que os outros dois teriam se saído melhor.

domingo, 5 de julho de 2009

Harry Potter e a Câmara Secreta



Harry Potter e a Câmara Secreta
Harry Potter and the Chamber of Secrets
EUA, 2002 - 161 min
Aventura/Fantasia

Direção: Chris Columbus

Roteiro: Steve Kloves

Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Richard Harris, Maggie Smith, Alan Rickman, Robbie Coltrane, Fiona Shaw, Tom Felton, Kenneth Branagh, Jason Isaacs

Passado um ano e meio desde o lançamento do primeiro filme da série cinematográfica Harry Potter, era a vez de Harry Potter e a Câmara Secreta enlouquecer os fãs e quebrar recordes de bilheteria na telonas.
Baseado no livro homônimo da escritora inglesa J. K. Rowling, a primeira sequência da série apresenta a volta de Harry (Daniel Radcliffe) à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts para o seu segundo ano, junto de seus amigos Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson). Desta vez, Harry tem uma visita inesperada do elfo doméstico Dobby, que lhe alerta dos horrores que podem ocorrer se o garoto retornar à Hogwarts. Apesar disso, Harry regressa à escola, onde alunos nascidos trouxas começam a ser encontrados petrificados e ele é o principal suspeito pelos ataques.
Os pontos fortes do filme começam na continuidade: os ambientes, os atores, a trilha sonora principal se mantêm intactas, iguais às do filme anterior. Chris Columbus (Esqueceram de Mim) manteve até os figurantes, o que contribui bastante para a caracterização da série.
A atuação é caracterizada por seus ganhos. Os atores-mirins apresentam uma melhora significativa e são postos mais à prova nessa sequência, em cenas como os diálogos entre Harry e Dobby, o Clube de Duelos e o clímax. Os atores mais experientes se mantém excelentes, mas com uma perda na participação de Richard Harris (Os Imperdoáveis) que interpreta Alvo Dumbledore e que está perceptivelmente abatido no filme devido à Doença de Hodgkin (câncer maligno que atinge o sistema linfático), doença esta que lhe causou a morte cerca de um mês antes do lançamento do filme. Sua atuação continua impecável, mas infelizmente possui menos aparições do que o esperado. Destaque também para Kenneth Branagh (Frankstein de Mary Shelley), que interpreta o hilário professor Gilderoy Lockhart de forma incrivelmente fiel ao livro.
O roteiro é inquestionável. Muito bem adaptado, o que o torna excelente, afinal o livro é excelente. O mistério é envolvente e tem um ótimo desfecho, o que é característico de Rowling. Além disso, consegue fazer com bastante destreza e sutilidade diversas referências ao restante da história do jovem bruxo como, por exemplo, o feitiço que é pronunciado pela metade por Lúcio Malfoy (Jason Isaacs) ao final do filme. Steve Kloves (Harry Potter e a Pedra Filosofal) consegue pegar a essência do livro, assim como fez com o primeiro, sem precisar acrescentar acontecimentos a história, sendo eles de grande ou pequena importância. Infelizmente parece que essa sua capacidade acabou depois deste filme ou foi limitada pelo outros diretores.
O enredo se torna ainda mais encorpado devido os efeitos especiais, que são inovadores e realistas - destaque para Dobby e o gigantesco basilisco. São diversas cenas de ação distribuídas nas mais de duas horas e quarenta minutos de duração que exigem de cenários colocados com uso de montagem aos personagens feitos totalmente em computação gráfica. Isso tudo se torna ainda melhor devido às ótimas fotografia e maquiagem e à fantástica trilha sonora do brilhante John Williams, que é famoso pelas múscias de orquestra da saga Star Wars, entre outros.
A película não ganhou nenhum prêmio relevante e não concorreu ao Oscar, o que não quer dizer muita coisa para um ano em que o prêmio de Melhor Filme foi para Chicago (Rob Marshall), quando existiam candidatos como O Pianista (Roman Polanski) e Gangues de Nova York (Martin Scorsese). Tendo arrecadado mais de 860 milhões de dólares durante sua passagem pelos cinemas do mundo, Harry Potter e a Câmara Secreta se mostra como o melhor filme da série lançado até o momento, sendo marcado por sua incrível fidelidade ao livro, fidelidade essa que poderia ser equiparada à da premiadíssima saga de O Senhor dos Anéis (Peter Jackson), mas que não chegou nem perto de obter esse reconhecimento por parte da crítica. Já os fãs, em sua maioria, sonham com o retorno de Chris Columbus ao posto de diretor dos filmes da série, o que se torna a cada dia mais improvável.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Harry Potter e a Pedra Filosofal



Harry Potter e a Pedra Filosofal

Harry Potter and the Philosopher's Stone
Reino Unido/EUA, 2001 - 152 min
Aventura/Fantasia
Direção: Chris Columbus
Roteiro: Steve Kloves
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Richard Harris, Maggie Smith, Alan Rickman, Robbie Coltrane, Fiona Shaw, Ian Hart, Richard Griffiths, Tom Felton e John Cleese.

Sob o sugestivo slogan "A magia vai começar", teve início a série cinematográfica mais lucrativa de todos os tempos. Lançado em novembro de 2001, Harry Potter e a Pedra Filosofal é o 3° filme que mais arrecadou em toda a história, cerca de US$ 970 milhões, ficando atrás apenas de Titanic e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, que arrecadaram mais de US$ 1 bilhão cada. Pelos menos nos números, o filme é uma fiel adaptação do livro, um dos maiores best-sellers do século XXI.
O enredo (se é que alguém não conhece) trata de um órfão que vive com tios que o maltratam, e que aos 11 anos descobre que é um bruxo. Também descobre que seus pais foram mortos por um bruxo maligno, Lord Voldemort, e que ele foi único que sobreviveu às suas maldades, e que por isso é muito famoso no mundo bruxo. Harry (Daniel Radcliffe) vai estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde conhece Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), que serão seus melhores amigos, além de Draco Malfoy (Tom Felton), seu grande rival. O ano de Harry na Escola é cheio de surpresas e descobertas, além de muito mistério envolvendo a lendária pedra filosofal.
A série Harry Potter é um grande desafio para qualquer roteirista. Mas podemos dizer que o primeiro livro é o "menos difícil" de adaptar para o cinema, pois é menor. Mas isso não tira o mérito de Steve Kloves e do diretor Chris Columbus, que foram fidelíssimos ao livro. Aliás, isso rendeu muitas críticas ao diretor por parte da imprensa, quando prometeu fidelidade ao livro. Ora, alguns podem até não gostar, mas isso é tudo que os fãs querem. Outro trunfo de Columbus para conseguir o posto de diretor do filme (desbancando nomes como Steven Spielberg e Rob Reiner) é a sua experiência com jovens atores, afinal ele dirigiu os dois primeiros filmes da série Esqueceram de Mim, além de Uma Babá Quase Perfeita. Foi também o roteirista de Gremlins e Os Goonies, e produtor de Um Herói de Brinquedo, O Homem Bicentenário e Uma Noite no Museu, entre outros. Pois é, o cara tem um currículo de respeito. Além do mais não sei se seria uma boa ter o Steven Spielberg como diretor desse filme, afinal a idéia dele era fazer um filme animado, com Haley Joel Osment dublando o Harry(!).
Falamos em trabalhar com jovens atores, e essa é uma das grandes dificuldades enfrentadas no filme. Mas foram boas as escolhas para os papéis principais. Além da semelhança física com a descrição dos personagens, os atores mais novos conseguiram, no mínimo, uma atuação razoável. Não se pode também exigir muito deles com tão pouca experiência. Daniel Radcliffe não é extraordinário, mas consegue dar conta da sua parte. A dublagem brasileira dele atrapalha um bocado. Quem assiste o filme legendado vê que ele não é ruim como aparentava na versão dublada. Rupert Grint se sai um pouco melhor. Mas quem parece ter mais intimidade com a atuação são os atores Emma Watson e Tom Felton (apesar de aparecer pouco). Quanto ao elenco adulto, é dos acertos do filme, que conta com alguns nomes consagrados, como o saudoso Richard Harris e Maggie Smith. Richard Harris está excelente no papel de Dumbledore, com toda a calma e o gestual característico do personagem. Desde a aparente fragilidade até a conhecida olhadinha por cima dos oclinhos de meia-lua, ele está exatamente como a descrição de J.K. Rowling. Destaque também para Robbie Coltrane e Alan Rickman, dois dos melhores atores do filme.
O filme é muito caprichado em cada mínimo detalhe. É um exemplo para muitos filmes que abrem grandes séries (vide Crepúsculo), pois o filme tem uma direção de arte espetacular, bela fotografia, figurino impecável e, principalmente, cenários grandiosos. O castelo de Hogwarts é uma maravilha do cinema atual. Os efeitos visuais também são bons (o trasgo, o quadribol), mas é claro que hoje eles não têm mais o mesmo impacto que tinham há oito anos atrás. Não podemos deixar de destacar também a trilha sonora, que virou marca da série. O compositor é John Williams, que também compôs as trilhas de filmes como Parque dos Dinossauros, O Resgate do Soldado Ryan, Tubarão, E.T., Amistad, Superman, e todos da série Indiana Jones e Star Wars.
Assim como o livro, o filme é um pouco infatil (nada comparado às Crônicas de Nárnia, obviamente), mas nem tanto. É um filme bom para a família. É bem longo para um filme desse gênero (2h32min), o que pode ser um pouco cansativo para alguns, mas é um preço a ser pago por se seguir à risca o livro. Para os fãs, nunca cansa.
Apesar de não ser um filme que tem a cara das grandes premiações, Harry Potter e a Pedra Filosofal recebeu algumas indicações: 3 ao Oscar (Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora), 7 ao BAFTA (Melhor Filme Britânico, Melhor Ator Coadjuvante - Robbie Coltrane, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Desenho de Produção, Melhor Som, Melhor Figurino e Melhor Maquiagem), e uma ao MTV Movie Awards ( Melhor Revelação Masculina - Daniel Radcliffe).
Harry Potter e a Pedra Filosofal é um filme surpreendente para quem nunca ouviu falar e bastante satisfatório para quem leu o livro. Ele apresenta um série que tem potencial para mostrar muita coisa ainda. Sua missão é chamar a atenção de todos e fazer com que todos voltem os olhos para essa marca que surgia. Missão cumprida.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Exterminador do Futuro: A Salvação



O Exterminador do Futuro: A Salvação
Terminator Salvation
EUA, 2009 - 116 min
Ação/Ficção científica

Direção:
McG

Roteiro:
John D. Brancato, Michael Ferris

Elenco:
Christian Bale, Sam Worthington, Anton Yelchin, Moon Bloodgood

Quem nunca ouviu falar na franquia O Exterminador do Futuro? O brilhante cineasta James Cameron (Titanic)
fez história nos anos 80 e 90 com os dois primeiros filmes da série, marcados por uma trama fantástica envolvedo andróides, efeitos especiais e grandes bordões como "Hasta la vista,baby" e "I´ll be back".
Mas a franquia foi quase que "exterminada" com a vinda de um terceiro filme -O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas- que de grandioso só tem o nome, e da série Terminator: The Sarah Connor Chronicles que foi muito mal falada por fãs e críticos. O quarto filme foi lançado e uma grande esperança de sucesso foi depositada nele.
O Exterminador do Futuro: A Salvação se passa no ano de 2018 e acompanha dois personagens principais: John Connor, interpretado por Christian Bale (Batman - O Cavaleiro das Trevas), o líder da Resistência contra a Skynet, um sistema de computador que se tornou auto-suficiente e que vê os humanos como uma ameaça; e Marcus Wright, interpretado por Sam Worthington (Fúria de Titãs), um homem que foi condenado a morte no ano de 2003, acorda em 2018 e descobre ser um ciborgue. Connor precisa salvar o jovem Kyle Reese, seu pai, que está sendo caçado pela Skynet para ser morto, evitando assim o nascimento de John. Marcus precisa descobrir o que aconteceu consigo e por quê, até o momento em que encontra Kyle, onde as duas histórias começam a se unir.
Este é o primeiro filme da série a focar a história nos acontecimentos pós-Jugamento Final (dia em que a Skynet torna-se consciente), o que muda completamente o estilo da franquia. Não há mais um único inimigo tentando matar alguém. A situação é de guerra, ou seja: explosões, tiros, velocidade e mais explosões. Bem típico do diretor McG (As Panteras). O problema é que existem cenas de tanta ação que chega ser monótono, o que é bem perceptível lá pela metade da película.
O roteiro possui várias falhas pequenas, como algumas explicações inexistentes, a presença de dois romances, sendo um deles insignificante, mas falhas essas que podem ser equilibradas às ótimas referências que o filme faz aos seus antecessores, como a música "You Could Be Mine" do Guns N´Roses, tema do segundo filme da franquia, e a presença de vários bordões da mesma, fora algumas cenas de longa duração em que aparentemente não há cortes.
Quanto a atuação no filme, não há do que reclamar, apesar de que também não há cenas que coloquem os atores realmente em prova. Christian Bale se mostra muito bem no papel de John Connor, o que não quer dizer muita coisa, pois o personagem é bastante descaracterizado. Já Worthington é mais exigido, e se sai muito bem. O australiano prova no filme porque era um dos favoritos a ficar com o papel de James Bond no filme Cassino Royale e porque está com os papéis principais em Avatar -a nova superpordução de James Cameron- e no épico Fúria de Titãs, neste último ao lado de gigantes como Liam Neesom (Gangues de Nova Iorque) e Ralph Fiennes (O Jardineiro Fiel).
Os efeitos especiais com certeza são o ponto forte da continuação. São robôs, explosões, cenários incrivelmente reais. Por trás de grande parte disso, está o grande mago dos efeitos especiais Stan Winston, que morreu em julho do ano passado e que teve como último trabalho completo o grandioso Homem de Ferro (John Fraveu). Esse homem fez história no cinema com os efeitos espciais das franquias Jurassic Park, O Exterminador do Futuro, Aliens, Predador e é o responsável pela cena mais esperada do filme aqui em questão: o encontro de Connor com o T-800. Explicando: no ano de 1983, durante as gravações do primeiro Exterminador, Stan Winston fez moldes de gesso do corpo do ator Arnold Schwarzenegger (True Lies), que interpretava o T-800, para que estes pudessem ser digitalizados e o ator aparecesse novamente em sequências futuras do filme, quando não tivesse uma forma física qualificada para o personagem. Acontece que a tecnologia foi testada e o resultado foi muito bom, o que permitiu que McG se ultilizasse dela neste filme. A cena é arrepiante. Você vê o atual governador da California 25 anos mais novo lutando com Bale, apesar de saber que o primeiro nem pisou no set de filmagem. Quem não acreditava na possibilidade da perfeição gráfica -como eu- vai balançar depois de conferir a cena. Na minha opinião, vai ser difícil tirar o Oscar de Melhor Efeito Especial de O Exterminador do Futuro: A Salvação.
Com um roteiro relativamente simples, limitado pelas contradições do terceiro filme da série, O Exterminador do Futuro: A Salvação falha, mas se compensa no geral e inova nos efeitos especiais. Prejudicado por seu antecessor, ele tenta dá continuidade a história, se tornando, como já diz o título, uma possível "salvação" à franquia. Não que o filme se iguale aos dois primeiros, mas permite que seus sucessores o façam.

domingo, 24 de maio de 2009

Anjos e Demônios


Anjos e Demônios

Angels & Demons
EUA, 2009 - 138 min
Suspense
Direção: Ron Howard
Roteiro: David Koepp, Akiva Goldsman, Dan Brown (livro)
Elenco: Tom Hanks, Ewan McGregor, Ayelet Zurer, Stellan Skarsgård, Nikolaj Lie Kaas, Pierfrancesco Favino

Temos aqui mais uma daquelas adaptações de best-sellers para o cinema. Esse tipo de filme tem sido uma constante nos últimos anos, pois tem retorno quase certo. Porém, tão certo quanto o lucro é a insatisfação dos fãs. Sejamos francos: filmes desse tipo nunca vão agradar plenamente os fãs da obra original. São duas mídias diferentes, com maneiras diferentes de se contar a história. Um escritor conta sua história em 400, 500 páginas. O diretor de cinema tem 2 horas, quando muito 2 horas e meia para contar a mesma história. Não se pode exigir a mesma qualidade de ambos. Daí porque não cabe comparar os dois visando saber qual é melhor. A comparação é cabível para se constatar em que parte o filme poderia ter sido mais fiel ao livro e, assim, ter sido melhor, ou, ao contrário, em que momento o filme inovou e obteve resultado melhor que o livro. Aí sim a comparação tem um propósito enriquecedor. Não há um melhor e um pior, há o original e a adaptação.
Anjos e Demônios é a segunda adaptação de obras do polêmico escritor norte-americano Dan Brown. A primeira foi de O Código Da Vinci, livro de estrondoso sucesso, mas um filme bem morno. Ron Howard, que dirigiu o primeiro, está de volta neste. O diretor, vencedor do Oscar de Melhor Diretor em 2002 por Uma Mente Brilhante, concorreu ao mesmo prêmio esse ano por Frost/Nixon. Entretanto, ele também ganhou o prêmio (nada louvável) de Pior Diretor, justamente pel'O Código Da Vinci, no Framboesa de Ouro de 2007. O filme mostra mais uma aventura do professor de simbologia religiosa Robert Langdon (Tom Hanks). Dessa vez, ele é chamado para desvendar um misterioso assassinato e o roubo de uma nova tecnologia, a antimatéria, que extremamente perigosa. Esses crimes foram assumidos por uma antiga sociedade secreta, os Illuminatti, que afirmam ter ressurgido para se vingar da Igreja Católica pelos crimes que ela cometeu no passado.
A história toda tem como temática maior a dicotomia clássica entre ciência e religião. De um lado os religiosos, conservadores em seus dogmas. De outro os cientistas, inovadores em suas descobertas. E no meio estão aqueles que tentam unir os dois pólos, buscar um denominador comum entre eles. Esses despertam a ira de ambos. Com essa questão toda, Dan Brown não perde a oportunidade de dar uma boa cutucada na Igreja Católica. E parece que funcionou, pois antes mesmo do lançamento do filme, este foi condenado pelo Vaticano. Até mesmo um boicote à produção foi sugerido pela Santa Sé.
Vamos fazer, então, aquela tal comparação enriquecedora a que nos referimos no início. Devemos concordar que mudanças que não tragam relevante prejuízo ao filme são válidas desde que proporcionem benefícios, como fluidez da história. Entretanto, o que observa-se em Anjos e Demônios é uma sequência de mudanças simplesmente inúteis. É o mudar por mudar. Isso ocorre, por exemplo, com relação aos nomes de alguns personagens. Por exemplo, o nome do camerlengo (Ewan McGregor) é transformado de Carlo Ventresca para Patrick McKenna, e o cardeal Mortati vira cardeal Strauss (Armin Mueller-Stahl). Muitos podem argumentar: mas isso não altera em nada a história. Concordo, mas para quê mudar? Isso só prejudica o filme, pois perde identidade com o livro. Se houver uma razão que eu desconheça para tais mudanças, como evitar atritos com a Igreja, a alteração é louvável. Se não, é tola. Há também outras alterações que influem profundamente no roteiro, mas que aparentemente não trazem benefícios, ou ao menos estes são insignificantes. Isso acontece, por exemplo, com relação à Vittoria Vetra (Ayelet Zurer), que no livro é filha do pesquisador assassinado, Leonardo Vetra. No longa, não há nenhuma relação de parentesco entre os dois, e até o nome do pesquisador é alterado, passando a se chamar Silvano. Além disso, Leonardo Vetra era padre, o que permitiu a Dan Brown estabelecer aí o grande contraponto entre ciência e religião. Com isso, a história perde muito do seu teor dramático, e a personagem Vittoria fica muito reduzida em importância, pois no livro ela é bem mais atuante, agressiva, passional, já que era seu pai que havia sido assassinado. Chegaram ao cúmulo de simplesmente excluir um importante personagem, Maximilian Kohler, o diretor do CERN, o centro de pesquisas onde estava guardada a antimatéria. Essas são apenas algumas entre outras tantas (algumas mais detestáveis e inúteis) alterações no filme.
Eu já bati, agora chegou a hora de assoprar um pouco. Mas só um pouco. Digo isso porque percebi que há uma estratégia no roteiro. Ele busca dar mais agilidade em algumas partes do filme (aí entram todas aquelas mudanças) para poder gastar mais tempo em outras. No caso, abriram mão de certas questões científicas (não exploraram o CERN e a antimatéria como deveriam), históricas (a origem dos Illuminatti) e até mesmo referentes aos perfis dos personagens, para caprichar nas cenas de ação extrema e mistério, que muitas vezes são as responsáveis por levar as pessoas ao cinema. Assim, temos um início confuso, em que tudo vai passando sem que seja muito bem explicado. É bem frustrante, principalmente para quem leu o livro. Então, quando você já não espera nada mais do filme, surge uma parte bem mais envolvente e muito fiel ao livro. O curioso é que esse meio é teoricamente a parte mais difícil de ser posta na tela, pois há muito a ser explicado, ao mesmo tempo em que tudo acontece muito rápido. Mas muito pouco escapou ao filme nesse ponto, foi realmente muito perto do ideal. Aí surge um final que eu classifico como mediano, talvez menos que isso. Novamente muita coisa é deixada para trás, deixando o espectador meio perdido, e as mudanças bobas voltam a aparecer logo nesse momento crucial, no fechamento.
Quanto ao elenco, a fórmula de utilizar dois nomes fortes é repetida (em O Código Da Vinci, Tom Hanks e Ian McKellen eram os nomes). Tom Hanks volta como protagonista do filme. Não há muito o que dizer sobre ele. É um excelente ator e se encaixa muito bem no papel. Aparentemente, o personagem Robert Langdon não exige muito do ator. No máximo, ele tem que demonstrar naturalidade ao falar sobre todas aquelas conspirações e usar aquela linguagem acadêmica. Tom Hanks já fez coisa bem mais difícil, vide Forrest Gump. O outro nome de peso é Ewan McGregor, que interpreta o camerlengo. Na minha opinião, uma boa escolha. Ele consegue dar ao personagem a calma de um jovem e devotado padre. Entretanto, o personagem foi bastante prejudicado pelo modo como a história correu, perdendo boa parte de sua dramaticidade devido a supressões no enredo, o que transparece para o espectador como uma atuação meio sem sal.
A parte técnica do filme merece elogios. Ela foi muito mais exigida do que em O Código Da Vinci, e correspondeu. Fotografia e efeitos visuais são bons. O figurino foi um dos pontos mais exigidos, pois tiveram que fazer roupas para o papa, cardeais, guarda suíça, todas muito características e idênticas às originais. Mas o que merece destaque são os cenários, a ambientação do filme. E olhe que isso deu muito trabalho. Não puderam contar com os cenário originais do Vaticano (por motivos óbvios), nem mesmo nas Igrejas, e a autorização para filmagem nas ruas de Roma foi tão limitada que o diretor Ron Howard usou o que ele chama de técnica de guerrilha: ataques rápidos e sem falhas.
Anjos e Demônios é mais uma tentativa falha de adaptar um best-seller para o cinema. Não porque o livro é pior que o filme, pois isso é dificilmente reversível, mas sim porque o filme comete erros tolos com relação à sequência de enredo. O mínimo que se espera de um filme, adaptação ou não, é que ele faça sentido em si mesmo, que não se precise recorrer a outras fontes para entender acontecimentos que fazem parte da base do enredo. Isso não ocorre no filme de Ron Howard, pois deixa diversas lacunas sem preenchimento. Ele sacrificou o início para fazer um bom meio, mas não conseguiu arrematar no fim.

domingo, 12 de abril de 2009

Gran Torino



Gran Torino
Gran Torino
EUA, 2008 - 116 min
Drama

Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Nick Schenk, Dave Johannson

Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her, Brian Haley, Geraldine Hughes

Do início dos anos 1990 para cá Clint Eastwood (Menina de Ouro) vem se mostrando um ótimo cineasta, o que já se aplicava à sua atuação. Gran Torino é mais uma prova disso.
Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um veterano da Guerra da Coréia preconceituoso e rabugento que se vê só num bairro repleto de imigrantes asiáticos depois da morte de sua mulher. Após salvar seu vizinho hmong Thao Lor (Bee Vang) de uma gangue de mesma etnia, Walt começa a mudar seu jeito de pensar e se apega ao garoto e à sua irmã Sue (Ahney Her), deixando um pouco de lado sua antiga vida, onde ele fazia consertos em eletrodomésticos, limpava seu belíssimo Ford Gran Torino 72 e sentava à varanda de sua casa com sua cadela para tomar cerveja.
A história aparenta ser muito simples, mas se desenrola muito bem durante o decorrer do filme e caracteriza-se por ser uma junção de vários dos aspectos presentes em outros filmes de Clint Eastwood, o que se mostra muito bem encaixado no roteiro, conseguindo manter um ótimo equilíbrio entre divertimento e drama, algo muito característico do diretor.
Mas a obra também tem seus vacilos. Os maiores deslizes estão no elenco. Eastwood, como sempre, se mostra excelente no papel, tanto nas cenas de humor quanto nas cenas mais dramáticas. Ahney Her também tem uma boa atuação, mas Vang não chega nem perto. O ator não consegue expressar as emoções necessárias, o que é perceptível a partir de sua primeira fala com mais de três ou quatro palavras (aproximadamente na metade da película), o que prejudica -e muito- o filme, pois seu papel é de grande importância. Outro ator que não consegue dar conta de seu papel é Cristopher Carley, que interpreta o padre Janovich. Apesar de a personagem não exigir tanto, o ator não se mostra a par da situação em nenhum momento. O diretor do filme errou onde ele costumas mais se destacar positivamente: na escolha do elenco.
A parte técnica do filme é muito boa, principalmente a iluminção. Eastwood opta por usar câmera-de-mão em várias cenas, tornando a fotografia natural e de ótimo foco, o que funciona muito bem.

O filme não é o melhor de Eastwood, mas faz jus ao diretor e com certeza merecia o seu lugar como indicado ao Oscar. Talvez não em Melhor Filme, mas com certeza em Melhor Ator e Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.
Vale a pena conferir pois, fora os costumeiros ensinamentos presentes nos diversos filmes do diretor, há uma grande mensagem sobre o quanto alguém é capaz de superar seus preconceitos e sobre as várias formas de se encarar a vida.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quem Quer Ser um Milionário?


Quem Quer Ser Um Milionário?

Slumdog Millionaire
Reino Unido / EUA , 2008 - 120 min
Drama

Direção: Danny Boyle


Roteiro: Simon Beaufoy

Elenco:
Dev Patel, Irrfan Khan, Anil Kapoor, Madhur Mittal, Freida Pinto

Filmes de baixo orçamento têm surpreendido e recebido diversas indicações em várias premiações nos últimos anos. Foi assim com Pequena Miss Sunshine em 2007 e com Juno em 2008. Esses filmes chegaram como "zebras" no Oscar, concorreram a Melhor Filme, mas não levaram. Esse ano, Quem Quer Ser Um Milionário?, o filme "barato" da vez, chegou como surpresa e levou 8 estatuetas, incluindo a de Melhor Filme.
O filme mostra a história de Jamal Malik (Dev Patel), um garoto indiano de 18 anos, nascido na periferia de Mumbai, que participa de um jogo de perguntas e respostas de grande sucesso em seu país, uma espécie de "Show do Milhão" da TV indiana. Jamal vai se mostrando um excelente jogador e isso chama a atenção de alguns que pensam ser impossível um garoto pobre como ele saber todas as respostas. Para explicar de onde sabia cada resposta e provar sua inocência, Jamal vai contando diversos momentos de sua vida ao lado de seu irmão Salim (Madhur Mittal) e de seu grande amor, a garota Latika (Freida Pinto). A partir daí, o enredo do filme se desenvolve, na medida em que nos vai sendo mostrado de maneira bastante interessante o cotidiano nas favelas indianas e o destino de muitas das crianças que lá vivem. Nesse momento o filme nos faz lembrar um pouco da nossa realidade, a violência e a criminalidade que predomina em muitas das favelas brasileiras e o rumo que muitas crianças acabam tomando. Esse é um tema muito explorado no cinema brasileiro, por isso em determinadas partes temos a impressão de que estamos assistindo a uma produção nacional.
É um filme cheio de movimento, cores, tudo animado pela excelente trilha sonora, que explora bem os ritmos indianos. A história é ágil, permeada pelos flashbacks que contam a história da infância de Jamal, um vai-e-vem contínuo que visa nitidamente manter os espectadores ligados, sem jamais aborrecer. Esse ritmo frenético somado a uma boa dose de humor (mesmo em momentos bastante dramáticos, diga-se de passagem) são responsáveis por tornar o filme tão divertido e interessante.
Para manter esse clima tão intenso e colorido, o filme capricha nos efeitos sonoros e na fotografia. Isso é perceptível em cenas de grande movimentação, em que essa qualidade é colocada à prova. Aliás, o quesito fotografia é outra semelhança em relação a alguns filmes brasileiros, especialmente Cidade de Deus.
O roteiro foi adaptado por Simon Beaufoy, baseado no livro "Q and A", de Vikas Swarup. A direção é de Danny Boyle, cineasta e produtor inglês, também diretor de A Praia e Extermínio. Ele contou com um orçamento de US$ 15 milhões, o que é pouco, tomando como padrão as grandes produções hollywoodianas. Boyle disse que queria um filme que mostrasse a verdadeira cara da Índia. Por isso, optou por fugir um pouco dos estúdios de Bollywood e filmar em locações abertas, de grande movimentação popular. Isso contribui fortemente para dar mais realismo às tomadas externas.
O filme é, apesar de tudo que acontece com o pobre Jamal, alegre. Isso é uma característica até do próprio povo indiano, que, de modo parecido com os brasileiros, sofrem com a profunda pobreza, mas nem por isso deixam sua alegria se esvair, vivem cantando, dançando, mesmo sem motivos para festejar. Talvez tenha sido essa alegria incondicionada que tenha cativado tanto a crítica e público.
Quem Quer Ser um Milionário? é, sim, um grande filme. No entanto, acho que foi um pouco supervalorizado. Oito Oscars e quatro Globos de Ouro são muita coisa. Ainda acho que O Curioso Caso de Benjamin Button é melhor e merecia mais que seus três Oscars. Mas, afinal, Quem Quer Ser um Milionário? acabou sendo uma boa surpresa, pois consolidou os filmes de baixo orçamento no hall das grandes premiações. Os grandes que se cuidem, pois agora foi provado que mesmo com pouco dinheiro é possível se produzir um bom e competitivo filme. Enfim, até na indústria do cinema existe o tal do bom, bonito e barato.

 
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