quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Up - Altas Aventuras


Up - Altas Aventuras

Up
EUA, 2009 - 96 min
Aventura / Animação

Direção:
Pete Docter, Bob Peterson

Roteiro:
Pete Docter, Bob Peterson, Thomas McCarthy

Elenco (EUA/BRA):
Edward Asner/Chico Anysio, Christopher Plummer/Jomery Pozzolli, Jordan Nagai/Eduardo Drummond, Bob Peterson/Nizo Neto

É muito comum nos depararmos com aquelas pessoas que vão assistir um filme já determinadas a não gostar dele, seja porque ouviram falar que ele é ruim, ou porque simplesmente não vão com a cara. Passam a reclamar de cada detalhe e achar mil e um defeitos. Pois bem, tive a oportunidade de descobrir que o inverso também é terrível: aqueles que vão ao cinema já decididos de que o filme é engraçadíssimo e riem desde os trailers até os créditos finais. Essa epifania dentro da crítica é dedicada aos rapazes que se sentaram na fileira atrás de mim, e que fizeram questão não só de rir, mas de gargalhar histericamente o tempo todo, a cada simples acontecimento do filme (ou fora dele).
Enfim, vamos ao que interessa. Apesar do que possa ter transparecido do parágrafo acima, Up é, sim, um filme engraçadíssimo, um dos mais engraçados do ano. Roteirista de grandes sucessos da Pixar, como Wall-E e Monstros S.A. (do qual foi também diretor), tendo também contribuído nos dois Toy Story, Pete Docter é o diretor. O filme conta a história de Carl Fredricksen (Edward Asner/Chico Anysio), um vendedor de balões que, ao se ver perto de perder sua casa, decide fazê-la levantar vôo utilizando-se de milhares de balões e, assim realizar um antigo sonho seu e de sua falecida mulher, Ellie: mudar-se para o Paraíso das Cachoeiras, um lugar localizado em uma floresta na América do Sul. Nessa jornada, ele contará com a ajuda do jovem escoteiro Russell (Bob Peterson/Nizo Neto), e encontrará criaturas esquisitas, inclusive cachorros falantes.
Esse enredo é sem dúvida um dos mais atípicos já vistos em filmes da Pixar. O curioso é que deu muito certo, mais até que outros não tão incomuns, como A Família do Futuro. Já foi dito que filme é muito divertido, mas o que o torna realmente especial é a singularidade da história que é mostrada. É algo original ao extremo, fruto de uma imaginação riquíssima. Para esse tipo de filme, há duas possibilidades: ou eles viram clássicos inimitáveis, graças ao enredo rico e único; ou eles são assolados duramente pela crítica, porque seus roteiristas "viajaram na maionese". Up se encaixa na primeira. Animações engraçadinhas temos aos montes; o que se busca hoje é o diferencial: a originalidade.
A qualidade da animação está, mais uma vez, impecável, o que é requisito mínimo hoje em dia. Os personagens são caricatos, baixinhos e cabeçudos, e o colorido é intenso durante todo o filme. Vale lembrar que esse é apenas o segundo longa-metragem da Pixar protagonizado por personagens humanos. O primeiro foi Os Incríveis. Destaque também para a qualidade dos ambientes, especialmente os das florestas sulamericanas, que tiveram como referência, inclusive, o Monte Roraima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.
Tratando-se de Disney, a dublagem é sempre ponto forte. Ainda mais a brasileira, reconhecidamente uma das melhores do mundo. O filme conta com a especialíssima participação do grande Chico Anysio. Confesso ter ficado até mesmo surpreso ao ver como a voz dele se encaixou perfeitamente no personagem (que é a cara dele!), mas em se tratando do talentosíssimo Chico Anysio, nada mais deve ser surpresa. Nesse filme, ele teve a oportunidade de dublar junto com seu filho, Nizo Neto (Russel), pela primeira vez.
Mais uma vez o talento e a criatividade da equipe de John Lasseter enchem os olhos do mundo, tornando Up - Altas Aventuras um dos melhores trabalhos da Disney/Pixar. Começo até mesmo a ponderar se não eram justas as gargalhadas escandalosas dos rapazes da fileira de trás.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Os Normais 2



Os Normais 2
Os Normais 2
Brasil, 2009 - 75 min
Comédia

Direção: José Alvarenga Jr.

Roteiro: Fernanda Young, Alexandre Machado

Elenco: Luís Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Drica Moraes, Claudia Raia, Alinne Moraes, Daniel Dantas, Daniele Suzuki

Quase seis anos após o lançamento de Os Normais - O Filme (José Alvarenga Jr.), chega aos cinemas Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas, de mesmo diretor que o anterior.
A história é bastante simples: a relação dos noivos Rui (Luís Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) está cada vez mais desgastada, até que o casal decide encontrar uma mulher que esteja disposta a fazer um menáge à trois, afim de apimentar a relação. A partir disso começam a surgir diversas situações típicas da dupla.
Um enredo tão centralizado num único núcleo, tão linear não poderia gerar um filme maior do que esse. E a duração da exibição é uma característica que chega a desencorajar a assisti-la. São apenas uma hora e quinze minutos de duração. Apesar disso, o filme contém cenas hilariantes e muito bem montadas, como a do hospital. Outra sequência que chama bastante atenção é a do banheiro, onde Vani faz um gráfico no espelho do banheiro feminino usando batom após uma breve discussão com outras mulheres sobre relacionamento. Além de muito original, a cena se desenrola muito bem.
Se o roteiro tem muitos contra, mas também prós, não se pode queixar em nada quanto a atuação neste filme. Uma das vantagens da grande maioria das médias e grandes produções brasileiras, pois costumam possuir grande atores até em pequenas aparições. Luís Fernando Guimarães (O que é isso, companheiro?) e Fernanda Torres (Redentor) estão, como sempre, perfeitos. O desenrolar dos diálogos sempre muito naturais, uma das excelentes características da série original. Há uma química muito boa entre os dois. Também estão excelentes os atores secundários que têm, em sua maioria, personagens passageiros no enredo.
A produção do filme é muito boa: diálogos, atores, edição, locações, entre outros. Mas falta história para que possa se considerar um filme. Ao contrário do primeiro filme, este não tem tanto conteúdo, são apenas cenas engraçadas condensadas num enredo meia-boca para o cinema.
A produção se sairia bem melhor como um especial televisivo, em todos os seus aspectos: desde o enredo até seu tempo de duração. Faltou foco por partes de José Alvarenga e Fernanda Young. Vale a pena conferir, mas não se incomode em esperar chegar às locadoras.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

"Salve Geral" representará o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar


Nesta sexta-feira, dia 18 de setembro, o secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin, anunciou que o filme "Salve Geral", do diretor Sérgio Rezende, será o representante brasileiro na disputa por uma indicação ao Oscar 2010, na categoria melhor filme estrangeiro. O filme concorrerá com filmes de outros 95 países à indicação final.
O filme é baseado em fatos reais, e se passa em meio aos ataques de maio de 2006 à cidade de São Paulo comandados por integrantes de uma organização criminosa contra policiais nas ruas e dentro das penitenciárias. O enredo acompanha a história de Lúcia (Andréia Beltrão), uma viúva de classe média cujo filho está preso, e que acaba se envolvendo com a organização criminosa Comando.
Sérgio Rezende foi diretor de outros filmes de destaque, como "Lamarca", "Guerra de Canudos", "Mauá - O Imperador e o Rei" e "Zuzu Angel".
"Salve Geral" disputou a vaga brasileira com os filmes “Besouro”, de João Daniel Tikhomiroff, “Síndrome de Pinnochio – refluxo”, de Thiago Moyses, “Jean Charles”, de Henrique Goldman, “Feliz natal”, de Selton Mello, “A festa da menina morta”, de Matheus Nachtergaele, “O menino da porteira”, de Jeremias Moreira, “Se nada mais der certo”, de José Eduardo Belmonte, “Budapeste”, de Walter Carvalho e “O contador de histórias”, de Luiz Villaça.
A lista final dos cinco filmes que concorrerão na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar serão anunciados em 2 de fevereiro de 2010. A cerimônia do Oscar está prevista para o dia 7 de merço, em Los Angeles. O otimista Rezende disse que "a expectativa é ganhar o Oscar". Esperemos o lançamento do filme (que ocorrerá no dia 2 de outubro) para vermos do que ele é capaz.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

1 ano de CineMatuto!


É com enorme satisfação e orgulho que venho por meio deste nosso 40º post lembrar que no dia 5 de setembro nosso querido blog completou seu primeiro aniversário. Neste meio tempo, aprimoramos nosso conteúdo, melhoramos nosso layout, conhecemos gente com interesses afins aos nossos e, o mais importante, nos divertimos bastante falando do que gostamos.
Aproveito também para agradecer a todos que nos ajudaram nesse início de caminhada, tanto nossos parceiros da blogosfera, quanto nossos fiéis seguidores, que nos ajudam a melhorar sempre, sem falar no nosso amigo Diego Cavalcante, que nos presenteou com o logotipo do blog.
Que nosso blog continue proporcionando entretenimento para os cinéfilos durante mais muitos anos, e sempre melhorando e crescendo.
Muito obrigado e continuem conosco!

Juliano Gadêlha

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe



Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Harry Potter and the Half-Blood Prince
EUA/Inglaterra, 2009 - 153 min
Aventura / Drama / Fantasia

Direção:
David Yates
Roteiro: Steve Kloves
Elenco: Daniel Radcliffe, Michael Gambon, Jim Broadbent, Rupert Grint, Emma Watson, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Tom Felton, Bonnie Wright, Jessie Cave

Após ser adiado em novembro de 2008, finalmente ocorreu o lançamento do sexto filme da série Harry Potter, um dos mais esperados do ano, nesta quarta feira, 15 de julho. Mais uma vez sob a direção do inglês David Yates, o novo filme mostra o poder sombrio de Lord Voldemort mais forte ainda, pois ele, através de seus seguidores, começa a realizar atentados tanto no mundo bruxo como no dos trouxas. Harry ainda sofre com a traumática perda de seu padrinho, Sirius Black, e se vê apontado por muitos do mundo bruxo como "O Eleito", o único que capaz de derrotar Voldemort. Ele também é imcubido de uma importante tarefa por Dumbledore, e o futuro de todos depende do sucesso dessa tarefa. Draco Malfoy passa a despertar uma grande suspeita em Harry, que passa vigiá-lo por achar que ele se tornou um Comensal da Morte. Fora isso, surgem muitos romances na trama, o que gera também algumas crises de ciúmes, fortalecendo o drama adolescente na série.
A volta de Steve Kloves á série se mostrou muito benéfica. Mais uma vez, assim como havia feito no quarto filme, ele soube aparar bem as arestas e criar um enredo com nexo interno. A história é ágil (não há outra alternativa em se tratando de um enredo longo), mas ninguém se perde, pois ele deu mais simplicidade ao enredo, o que o tornou bem agradável. Ele trouxe também algumas inovação em relação ao livro que permitiram ao filme perder menos tempo. Já outras se mostraram desnecessárias e até prejudiciais ao filme. Por exemplo, em duas cenas (uma no início e outra no fim), Harry tem de se esconder para ouvir uma conversa ou simplesmente ver uma cena. Enquanto no livro ele usa a Capa da Invisibilidade, no filme ele sobe em telhado em uma das cenas e na outra esconde-se embaixo da escada, opções essas que acabam sendo mais dificultosas e menos úteis à história. Vejam bem, o que se critica aqui não é a falta de fidelidade ao livro, mas sim a escolha da maneira de se fazer a cena, que se mostrou pouco prática no filme e prejudicial ao enredo, pois para os mais atentos ficará óbvio no seu decorrer que ambas as cenas deixaram escapar detalhes que serão exigidos mais à frente. Outra adição ao filme que me parece inexplicável é o ataque à Toca. Essa cena simplesmente não acrescenta nada ao filme! Com ela, eles pareciam querer sanar a falta da cena final de combate em Hogwarts que ficou de fora. Era simplesmente o clímax da história. Mas devemos também esclarecer que algumas cenas que ficaram de fora deste filme, podem já ter aparecido no anterior ou aparecerão no próximo.
Sempre defendi a volta de Mike Newell para os outros filmes, após o bom trabalho que ele fez em O Cálice de Fogo. Porém, David Yates provou que também sabe fazer um filme divertido. Até demais. O filme é repleto de cenas engraçadas, piadinhas soltas e momentos constrangedores para os personagens. A maioria realmente contribue para o filme. Mas de vez em quando, sai meio forçado. Mas a grande mudança trazida para esse novo filme é um teor dramático bem mais forte que nos outros. É tão perceptível que em certas cenas você pensa estar assistindo a um filme de drama. Diante dos acontecimentos, essa mudança era necessária. No quinto, ficaram devendo. No sexto, acertaram as contas.
Pegando o gancho dessa importante virada dramática na série, falemos daqueles que têm grande participação nisso. Daniel Radcliffe está surpreendente. Para quem estava acostumado com ele fazendo o velho "feijão-com-arroz" nos últimos filmes, terá uma boa surpresa neste. Bem mais natural, bem menos previsível. Algumas cenas simbolizam melhor isso, como quando Harry persegue Belatrix e Snape, e a divertidíssima cena com o Professor Slughorn e Hagrid, depois que Harry tomou a poção Felix Felicis. Como vemos, são cenas bem diversas, uma mais dramática e outra mais cômica, o que demonstra uma certa versatilidade. Rupert Grint e Emma Watson, depois de ficarem bem aquém do que se esperava no filme anterior, tiveram talvez a melhor atuação até aqui. Rupert parece bem mais solto no personagem e Emma fugiu um pouco da mesmice dos outros filmes. O grande fator que explica essa melhora no trio principal é a diversificação de tipos de cena, e, no caso dos dois últimos, o maior destaque na trama, o que não ocorreu no anterior, já que o próprio livro os deixava um pouco de lado. Mas se há que se destacar alguém, que seja Tom Felton. Ele, que até agora vinha tendo aparições cada vez menores nos filmes, mas sempre consistentes, provou seu talento neste. Sem a aparição de Voldemort, Draco é o centro das atenções do "lado do mal" no filme. Ele recebe uma missão e tem de cumpri-la custe o que custar. Felton encarna com perfeição o jovem bruxo que, diante de tamanha responsabilidade, se vê, ao mesmo tempo, decidido e hesitante. Apesar de tudo, ele não parece ser realmente capaz de cometer o grande mal. Bonnie Wright também ganha espaço com sua personagem Gina. Apesar de não ser excelente atriz, ela consegue dar conta do recado. Michael Gambon e Alan Rickman continuam impecáveis em seus personagens, nessa trama que é crucial para ambos. Helena Bonham Carter também está excelente como Belatrix Lestrange, assim como Jim Broadbent, o excêntrico Professor Horácio Slughorn.
Neste sexto filme, recorreu-se menos aos efeitos visuais, mas estes estão presentes em algumas cenas, como a queda da ponte e o quadribol, que está bem melhorado e mais realista. Direção de Arte e Fotografia mantêm a qualidade dos antecedentes e a trilha sonora é novamente de Nicholas Hooper, um dos maiores compositores britânicos.
Mal foi lançado e Harry Potter e o Enigma do Príncipe já bate o recorde de maior bilheteria para um lançamento à meia-noite no meio de semana, com US$ 22,2 milhões só nos EUA, superando filmes como Batman - O Cavaleiro das Trevas e Star Wars - Episódio III.
Harry Potter e o Enigma do Príncipe trouxe de volta a esperança de que a série pode render bons filmes, não só com bons enredos, mas também divertidos. Apesar de certos exageros, algumas cenas desnecessárias e algumas cenas importantes ficando de fora, o sexto filme da série é um bom filme. Só nos resta esperar que ele seja apenas um aquecimento pra o que está por vir nos dois últimos capítuloas da saga.

Veja as fotos da estréia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe em Fortaleza


terça-feira, 14 de julho de 2009

Harry Potter e a Ordem da Fênix





Harry Potter e a Ordem da Fênix
Harry Potter and the Order of the Phoenix
Inglaterra/EUA - 138 min
Ação/Aventura/Suspense/Fantasia

Diretor: David Yates

Roteiro: Michael Goldenberg

Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Robbie Coltrane, Gary Oldman, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Imelda Staunton, Evanna Lynch, Emma Thompson, Katie Leung, John Isaacs, Tom Felton, Fiona Shaw, David Thewlis, Helena Bonham Carter

Marcando o fim do troca-troca de diretores na cinessérie, Harry Potter e a Ordem da Fênix mostra o quinto ano de Harry (Daniel Radcliffe) após ter descoberto que era um bruxo. O garoto é levado à julgamento para saber se será ou não expulso da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts por ter utilizado feitiços fora da escola e na presença de um trouxa. Fora isso, ele toma conhecimento da Ordem da Fênix, um grupo que combate Lord Voldemort (Ralph Fiennes) formado por bruxos, em sua maioria já conhecidos dele, e liderados por Dumbledore (Michael Gambon) e descobre que o Ministério da Magia está intervindo no ensino de Hogwarts para tentar conter os boatos de que o Lord das Trevas retornara.
O roteiro é assinado por Michael Goldenberg (Peter Pan), o único da série que não pertence a Steve Kloves (Harry Potter e o Cálice de Fogo) e, coincidência ou não, é o pior da série. São realizados muitos cortes da história original, mas quem dera esse fosse o maior problema. O pior é a essência do roteiro, o que há de mais básico nele: os diálogos. São várias frases interminadas, conversas sem o menor nexo, assuntos pela metade, como se você estivesse chegado no cinema na metade de uma cena e perdido o assunto. As explicações são vagas e um bom exemplo disso é uma sequência do clímax: a morte de Sirius Black (Gary Oldman) conseguiu ficar mais mal-explicada do que no livro, o que é muita coisa. O personagem é atingido por um avada kedavra, não morre na hora e é envolvido pelo véu. Outros feitiços que são mal utilizados pelo filmes são levicorpus (deveria ser um feitiço não-verbal que erguia a vítima pelos calcanhares desconhecido por quase todos), estupefaça (deveria lançar a vítima a uma certa distância e deixá-la desmaiada ou estuporada até que o contra-feitiço enervate fosse utilizado) e priori incantatem (ocorre somente entre duas varinhas irmãs, como a de Harry e Voldemort, mas no filme ele também ocorre entre este último e Dumbledore).
A parte visual do filme, apesar de melhor que o roteiro, não faz juz aos filmes anteriores. Os efeitos gráficos são parcialmente bons. Os seres animados como Grope, os testrálios e os centauros são típicos de animações realizadas totalmente em computação gráfica como A Lenda de Beowulf (Robert Zemeckis) e Resident Evil: Degeneração (Makoto Kamiya): apesar de ótimos, possuem grande contraste quando colocados junto a pessoas, no caso, os atores. Os outros efeitos gráficos se mantêm excelente, com algumas exceções.
A montagem do filme é bastante ruim. O problema é que o diretor David Yates (The Girl in the Café) parece adorar o uso da tela azul e abusa da técnica, o que torna o filme repleto de cenários falsos e que possuem essa caracterísitca bastante perceptível, por sua baixa qualidade. É possível ver até o reflexo azul no contorno dos atores, o que não faz muito sentido para um filme que teve o custo de 150 milhões de dólares (o grandioso Transformers custou 147 milhões). Já a fotografia é excelente, provavelemente a melhor da série até aqui. São ótimas tomadas marcadas por focar as reações de mais de um personagem a uma determianda situação. Os cenários também continuam maravilhosos, com destaque para o incrível Ministério da Magia. A Hogwarts se mantém a mesma desde o terceiro filme, com uma mudança neste filme: lembra do pêndulo que ficava à entrada do castelo? Agora ele fica no Salão Principal e, pasmem, ele desaparece em determiandas cenas (?!)
A atuação da série tem várias perdas e vários ganhos nesse filme. Daniel Radcliffe (O Alfaiate do Panamá) tem sua melhor atuação da série, muito boa eu diria, mas que poderia ser ainda melhor se este interpretasse o Harry nervoso e brigão descrito no livro. Em cenas em que Harry deveria chutar e quebrar coisas, ele fala calmamente. Em uma entrevista, Daniel disse que não via um Harry com raiva nessas passagens do livro. Detalhe: o personagem principal, durante essas passagens, quebra coisas, xinga, tem suas falas todas em letras maiúsculas e é descrito pela autora como furioso. Sem comentários.
Michael Gambon (A Profecia), intérprete do sábio Professor Dumbledore, continua muito bem no papel, mas com uma falha considerável. Ele faz um Dumbledore muito vulnerável, o que pode ser notado no épico duelo entre Dumbledore e Voldemort (uma ótima cena, por sinal), quando o professor demonstra medo ao enfrentar o Lord, o que não deveria acontecer. Dumbledore em nenhum momento sente dificuldade na luta, pelo contrário, permanece sereno como sempre, pois sabe que Voldemort não pode derrotá-lo, e isso fica bem claro na obra escrita por Rowling. Outras duas atuações que decaem são as de Rupert Grint (Lições da Vida) e Emma Watson (O Corajoso Ratinho Desperaux). Os fiéis amigos de Harry não parecem ter tanta importância, principalmente Rony, que não é mais tão característico como antes, mas a grande causa disso é o roteiro (tão mal-elaborado que chega a manter um personagem que não existe no original, Nigel, chegando a dar mais importância a ele do que a outros, sendo estes presentes nos livros).
Depois disso, a atuação do filme tem enormes ganhos como Imelda Staunton (Nanny McPhee - A Babá Encantada), que se torna a melhor atriz do filme ao interpretar Dolores Umbridge, e Helena Bonham Carter (O Exterminador do Futuro: A Salvação), que interpreta a prima de Sirius e que consegue passar perfeitamente para as telas a loucura que possui um Comensal da Morte e ex-prisioneiro de Azkaban.
No fim, pode-se concluir que Harry Potter e a Ordem da Fênix é, com certeza, o pior filme da série. Goldenberg escreveu um péssimo roteiro e, para o bem da série, não continuará nas próximas sequência, que terão o retorno de Steve Kloves. David Yates também não se saiu bem neste filme, mas volta nos outros três, com uma melhor equipe e maior fidelidade aos livros, espero. O mais incrível é que grande parte da crítica achou o filme ótimo e eu, sinceramente, não sei como. O problema é que têm falado o mesmo de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, que estreia daqui há alguns minutos. Só espero que as opiniões nãos se oponham de novo.

sábado, 11 de julho de 2009

Harry Potter e o Cálice de Fogo




Harry Potter e o Cálice de Fogo
Harry Potter and the Goblet of fire
Inglaterra/EUA, 2005
Suspen
se/Ação, 157 min.

Direção
: Mike Newell
Roteiro: Steven Kloves

Elenco:
Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, James Phelps, Oliver Phelps, Bonnie Wright, Jeff Rawle, Robert Pattinson, Jason Isaacs, Tom Felton, Stanislav Ianevski, Robert Hardy, David Tennant, Katie Leung, Robbie Coltrane, Michael Gambon, Devon Murray, Warwick Davis, Frances de la Tour, Angelica Mandy, Clémence Poésy, Maggie Smith, Alan Rickman, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes, Miranda Richardson, Gary Oldman.


Em novembro de 2005, chega às telonas o quarto filme da série Harry Potter, sob a direção do inglês Mike Newell, o terceiro diretor diferente a passar pela série. O enredo trata de um ano atípico na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, pois ela será sede do Torneio Tribruxo, que envolve alunos de duas outras escolas bruxas, além de Hogwarts. No meio disso, coisas estranhas começam a acontecer com Harry. Ele passa a ter pesadelos esquisitos, e é escolhido para participar do Torneio, o que deveria ser impossível, já que é menor de idade. Isso tudo ajudando a aumentar a sombria atmosfera que se cria pela possível volta de Lord Voldemort. Há também muitos atrativos no filme, como a Copa Mundial de Quadribol e o Baile de Inverno, muito aguardados pelos fãs.
Harry Potter e o Cálice de Fogo é, provavelmente, o mais divertido de se assistir da série. São 2 horas e 37 minutos que passam voando. A seqüência de eventos importantes prende a atenção de quem assiste, sem confundir nem entediar. Nesse ponto, créditos para o roteirista Steven Kloves (que aparentemente errou na dose em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) e para o diretor Mike Newell. Este é uma das boas novidades do filme. Diretor de Quatro Casamentos e um Funeral e O Sorriso de Monalisa, Newell foi muito importante para esse filme. Ele ajudou muitos dos atores a ter mais naturalidade em suas cenas, isso nós podemos acompanhar nos bastidores. É o estilo de diretor mais participativo, que não só diz o que fazer, mas às vezes também mostra como fazer. Também mostrou que sabe trabalhar bem com atores adolescentes, e isso se reflete no filme, que pela primeira vez na série aborda mais a problemática jovem, expondo os alunos da escola a situações mais próximas do nosso cotidiano. Afinal, apesar de bruxos, eles são jovens como quaisquer outros que conhecemos. Isso rendeu muitas cenas divertidas. E aí está mais uma qualidade do diretor, qual seja saber montar cenas bem-humoradas e, mais que isso, tornar o filme agradável, um filme que todos queiram ver.
O quarto livro da série Harry Potter, no qual se baseia o filme, possui um enredo bastante longo, o que representa uma grande dificuldade para a adaptação. Mas nesse caso específico podemos dizer que o saldo é positivo, pois o livro possui muitas partes não muito importantes e que poderiam tornar o filme desinteressante. Ressalve-se que o filme poderia ser mais explicativo no que diz respeito à história de Bartô Crouch Jr. (David Tennant) e mais detalhista em relação ao desenrolar de alguns fatos atinentes à trama principal, o que significaria incluir alguns personagens que ficaram de fora, como a elfa doméstica Winky. Mas, de um modo geral, podemos dizer que a adaptação obteve êxito, pois os fatos mais importantes foram mantidos, e as alterações que ocorreram encontram nexo dentro do próprio filme, o que é mais importantes. Analisando dessa maneira, é inevitável a pergunta: por que Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban não conseguiu o mesmo sucesso em termos de roteiro, sendo que sua adapatação era teoricamente mais fácil por ter um enredo bem menor? Boa pergunta. Daí podermos dizer que o quarto filme é um exemplo de boa adaptação de um grande enredo para o cinema. David Yates deveria ter aprendido a lição quando foi fazer o quinto filme. Mas isso é história para os próximos capítulos...
Nesse filme, também é perceptível uma boa melhora no trio principal de atores. Daniel Radcliffe pode não ser um ator espetacular, mas é bem esforçado e, assim como dizem todos que trabalham junto com ele, parece muito dedicado no que faz. Além do mais, para o papel de Harry Potter ele está bem demais. O personagem já está incorporado nele, mas nada se pode presumir do seu futuro pós-Harry. O papel de Rupert Grint cresce um pouco nesse filme e sua atuação é regular, assim como nos outros filmes. Emma Watson ainda dá mostras de ser a mais talentosa dos três, mas sua atuação tem ficado bastante repetitiva no decorrer dos filmes. Os veteranos Michael Gambon, Robbie Coltrane, Maggie Smith e Alan Rickman estão, mais uma vez, excelentes em seus papáeis. Faço apenas uma ressalva à atuação de Michael Gambon, com relação à cena em que ele avança furioso em direção a Harry, após este ser escolhido pelo Cálice de Fogo para participar do Torneio Tribruxo. Dumbledore não deveria se exaltar, ele permanece sempre calmo e sereno. Quanto aos novatos Robert Pattinson (Crepúsculo), Stanislav Ianevski e Clémence Poésy, digamos que no filme eles nem precisam falar. Eles estão lá mais para ser vistos, é a imagem deles que importa, os olhares, os gestos. São ícones. Brendan Gleeson é uma boa adição à série e está perfeito no papel do professor Olho-Tonto Moody. Mas o grande destaque entre os atores é Ralph Fiennes, que interpreta o tão ansiosamente aguardado vilão Voldemort. Ele só aparece em uma cena, no final do filme, mas é o bastante. É um personagem difícil, mas parece ter sido feito para Fiennes. Ele cria todo um gestual para o personagem e o que mais chamou atenção (inclusive de quem o convidou pra o papel) foi o seu olhar penetrante e cruel. Podemos dizer que Ralph Fiennes ajudou a criar a imagem de Voldemort na mente de muitos leitores.
O filme também contou com os melhores efeitos visuais da série até então. Isso é provado em diversas passagens do filme: o gigantesco e sem precedentes estádio da Copa do Mundo de Quadribol, o feroz dragão Rabo-Córneo Húngaro, o labirinto, a surpreendente cena no lago, etc. Como tradição da série, destaque também para os cenários e para a Direção de Arte como um todo. Além disso, a fotografia melhorou muito em relação ao terceiro filme. A trilha sonora, pela primeira vez, não ficou a cargo do consagrado John Williams, por problemas de calendário. Patrick Doyle o substituiu.
Harry Potter e o Cálice de Fogo arrecadou US$ 895 milhões pelo mundo todo, sendo a maior bilheteria de 2005 e a 12ª de todos os tempos. Concorreu ao Oscar de Melhor Direção de Arte, ao BAFTA de Melhores Efeitos Especiais, Melhor Maquiagem e de Melhor Desenho de Produção, do qual foi vencedor. Da série, é filme que melhor soube superar as dificuldades da adaptação, mostrando equilíbrio entre fidelidade à obra original e originalidade. Mike Newell fez um filme não só para fãs, mas para todos gostarem. Diante desse contexto, é realmente uma pena que ele não tenha voltado no quinto filme. Coisas do cinema.

 
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